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ALMA TELÚRICA


*** ««»» *** ««»» *** «BOCAGE OUTRO MEU EU»! Iracema ..................... Minhas Obras Poéticas: MINHA VIDA ÉS TU ...... VENDAVAL DE EMOÇÕES Brevemente : ................... A MAGIA DAS PALAVRAS *** ... *** ... *** ... ***
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HORTO POEMÁTICO

 
               A MINHA ALVORADA
 
 
Já lá vem a alvorada 
minh’ alma aliviada
contempla o azul do céu
a chuva não quer cair
as nuvens estão a mentir
pois só mostram denso véu.
 
E o mar um pouco selvagem
contempla a sua margem
com vontade de a transpor
meu coração vai velando
vai sem rumo navegando
por perder um grande amor.
 
Eu tenho a minha poesia
é como uma maresia
meu rosto vai refrescando
ponho o meu corpo cansado
a andar desnorteado
e assim não vou pensando.
 
Pobre alma enganada
mesmo assim amargurada
tentas sempre renascer
é uma luta infernal
que me faz bem e faz mal
mas que me ajuda a viver.
 
E assim vou navegando
pela vida saltitando
vou enganando o meu eu
para sempre recordar
a maneira de eu amar
com um amor só muito meu.
 
E vou gritando ao vento
um pouco do meu tormento
para o meu ser animar
e mesmo com o meu sofrer
eu vou tentando viver
com um falso gargalhar.
 
 
 
 
 
 
 
                                                    
 
 
                                                       *
 
 
 
 
 
 
ESTRANHA CONTRADIÇÃO
 
 
 
 
 
 
A imensidão do mar é uma beleza
as ondas revoltas são tão lindas
como é bela toda esta grandeza
que vem das profundezas tão infindas.
 
 
 
A espuma no seu belo rendilhado
vem espreguiçar-se na areia
e o céu tristemente enevoado
faz lembrar o lento apagar d’ uma candeia.
 
 
 
E quando já cansada da revolta
o mar se queda em imensa mansidão
a minha alma lentamente dá a volta
à tristeza do meu pobre coração.
 
 
 
E então rio, brinco e canto
e traquino como o mar tão inconstante
deito ao vento e ao luar todo o meu pranto
e quedo-me alegre por um instante.
 
 
 
Estranha contradição, ó poetisa
que a tua alma alegra e pisa.
 
 
                                                                           
                                                                           
 
                                                                              *
 
 
 
 
 
MEU BOCAGE
 
 
 
 
 
 
 
 
 
       Bocage és o meu poeta maior
és a inspiração que me dá guarida
consegues tirar minh’ alma do torpor
e dás vida mais bela à minha vida.
 
 
 
Teu nome vou levando mundo fora,
com fé, com luta e com ardor,
chegou finalmente a grande hora
de mostrar a todos teu valor.
 
 
 
Bocage não serás mais ultrajado
teus versos espalharei por todo o mundo
serás o nosso Vate idolatrado
e digno do nosso querer mais profundo.
 
 
 
E assim nesta luta que parece inglória
desfraldarei a bandeira da vitória !
 
 
 
                                                                             
 
 
                                                                              *
 
 
 
 
A FORÇA DAS PALAVRAS
 
 
 
 
 
 
A força das palavras
é o murmúrio do vento,
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
a força das palavras
é a luz do pensamento.
 
 
Há a força das palavras
numa boca a pedir beijos
e na união dos corpos
agitando-se em desejos.
Há a força das palavras
num coração a sangrar
que procura ansioso
o ser a quem há-de amar.
 
 
Há a força das palavras
no homem que vai morrer
e que ao deixar a vida
se transforma noutro ser.
 
 
Há a força das palavras
na vibração do meu peito
que ama intensamente
de um ou de outro jeito.
 
 
Há a força das palavras
no meu ser todo a vibrar
quando grito ao mundo versos
com a garra de os declamar. 
 
Há a força das palavras
nos versos que te ofereci
com a intensa paixão
que sempre me uniu a ti.
 
 
Com a força das palavras
terminarei estes versos
esperando que certo dia
andem por aí dispersos.
 
 
 
 
 
*
 
 
 
 
 
 
 MINHA MUSA
 
 
 
 
É a minha musa que me faz escrever
é a minha musa que me faz amar
é a minha musa que me faz sofrer
é a minha musa que me faz lutar.
 
 
A musa desce sobre mim
e deixa-me atrapalhada
quer que eu descreva um jardim
ou a rua enlameada.
 
 
Quer que eu grite a revolta
quer que eu grite com ardor
a vida que não tem volta
a saudade do amor.
 
 
Por vezes é traiçoeira
obriga-me a despertar
para que eu escreva altaneira
mesmo quando quero parar. 
 
Faz-me sonhar acordada
faz-me ver todo o horror
desta vida atribulada
sem vergonha e sem pudor.
 
 
Musa, desce de mansinho
de uma maneira airosa,
dá-me ternura e carinho
para que eu fique mais ditosa.
 
 
E é com o teu auxílio
de uma força sem par
que eu vivo nesta vida
sempre a escrever e a lutar!
 
 
 
 
 
 
 
*
 
 
 
 
 
DESLUMBRAMENTO
 
 
 
 
A Natureza é tão deslumbrante
quer na chuva que vai cair,
quer no sol que aparece radiante,
quer nas estrelas no céu a surgir.
 
Há beleza num riacho a correr
no raio que ilumina o Firmamento
até a tempestade a aparecer
ao poeta inspira encantamento.
 
Homens não percais a vossa fé
de matar não tendes qualquer direito,
para que estejais sempre de pé
levai a vida com coragem e a preceito.
 
Contemplai em redor a Natureza
essa obra imensa sem ter par
admirai essa enorme beleza
que nada a consegue igualar.
 
E quem fez todo este deslumbramento ?
Quem teve esse poder tão criador ?
Alguém que vão deixando no esquecimento
foi Deus, nosso Rei, Nosso Senhor.
 
E é Ele na Sua bondade infinita
que me ajuda a superar toda a desdita !
 
 
 
 
*
 
 
 
CAIS DA AMARGURA
 
 
 
No cais da minha certeza
desta nave abalroada
há ainda uma firmeza
tão triste, tão desolada.
 
Navego em mar de incerteza
com a alma amargurada
e ao afastar a tristeza
tenho as mãos cheias de nada.
 
Continuo a caminhar
como um pobre peregrino
nesta onda revoltada.
 
Já não sou capaz de amar
o vazio é o meu destino
e não quero ser amada.
 
 
 
*
 
 
 
A DOR DA SAUDADE
 
O Céu mudou de cor
a Lua está pardacenta
o vento fustigou o amor
tornando a vida tão lenta.
 
Minha alma foi sacudida
por um violento vendaval
não sei se o viver é vida
se é um caos infernal.
 
O mar surgiu revoltado
negando beijos à areia
e o náufrago assustado
repeliu sua sereia.
 
Tudo mudou ao partires
mas o meu amor persiste
ficar no meu coração
sem ti p’ ra mim nada existe
mas a saudade resiste
lembrando nossa paixão.
 
Tudo à volta parou
e a tempestade levou
uma raiz do meu ser
sinto-me a cambalear
com vontade de voar
para de novo te ver.
 
Mas a paixão ficou na minha alma
e a angústia e saudade não dão calma
como é doloroso, meu amor, este sofrer !
 
 
 
*
 
VIDA ATORMENTADA
 
Olhos no céu coração no chão alma em denso véu pensamento em turbilhão. Barco à deriva no mar estrela do céu caída há uma enorme confusão na minha alma perdida. Perdida por te ter perdido triste por não te ter ao lado e no meu coração ferido o sonho está terminado. Sonho lindo que feneceu a vida sem razão de ser a perca de não mais te ver a alegria que morreu. Cambaleio ao querer andar só te vejo nos meus sonhos não rio, só sei chorar, vão longe os dias risonhos. A mágoa eu quero gritar mas a razão não me deixa sinto a vida a acabar sem um lamento, uma queixa. Só sei gritar ao céu e ao vento que a minha vida é um tormento ! * A MINHA FORÇA Na penumbra dos meus sonhos falo com a solidão recordo os dias risonhos p’ ra enganar o coração. Pobre coração perdido que não se quer abrigar estás de tal modo ferido que não deixas de sangrar. A vida foi tão cruel mas eu tento superar este tão amargo fel que me quer derrubar. Mas eu não quero cair p’ ra sempre me irei erguer não sei qual o meu porvir mas vou lutar com o sofrer. Minha força vem do mar e também do Infinito obriga-me sempre a lutar com a coragem de um grito. E com esta força telúrica que invade todo o meu Eu lanço este enorme grito, ao mar, ao vento e ao Céu ! * PARADOXO Se no céu não brilhassem estrelas eu me esqueceria de ti, se o mar não beijasse a areia esqueceria o teu amor. Mas como o Universo existe, como o sol nos aquece com seu calor, cada vez vives mais em meu coração e é doce e amarga essa recordação. Amarga porque não te vejo doce porque lembro os bons momentos, paradoxo bom e mau que aumenta os meus tormentos. * ESTRANHA SENSAÇÃO Nas ondas do mar sem fim vejo o teu verde olhar e no azul do Infinito sinto tua alma a pairar. Que estranha sensação me deixa esta saudade, pois julgo que o teu coração ainda bate de verdade. Eu não quero encarar esta amarga realidade pois não se deixa de amar quem se amou de verdade. Já não sinto solidão nem de mim eu tenho dó pois tenho a recordação e, assim, já não ‘stou tão só. * ANGÚSTIA Angústia, sensação febril, pavor da vida que se apresenta aterrador, destroem os valores, ignoram o amor é uma onda cruel, devastadora. Não há moral, só ódio, perdição supera o poder destruidor, a guerra avança, não tem coração o mundo é um caos demolidor. Deixo aqui minha queixa, meus lamentos, minh’ alma está toda em fragmentos despedaçada por um viver tão odiento. Rogo a Deus muita força e inspiração para que conduza sempre a minha mão a escrever e denunciar este tormento. * VIVO SONHANDO Ouve o mar dos meus sentidos que soltam leves gemidos e que gritam minha dor quando solto um gargalhar é só p’ ra disfarçar a falta do meu amor. É doloroso fingir que nos sentimos felizes quando as nossas raízes se soltam da nossa alma eu só procuro fugir e aparentar falsa calma quando me vêem sorrir. Solto minhas asas ao vento para que o meu sofrimento saia do meu coração é inútil querer esquecer um amor que faz viver toda a minha solidão. Olho o mar, vejo teus olhos, a minha vida tem abrolhos sem a tua companhia no céu vejo o teu sorriso que era o meu paraíso e a minha sinfonia. E sempre a sonhar, a sonhar ... vivo apenas para te recordar. * A VIDA A vida é um enorme vendaval Que varre as emoções Traz-me o bem e o mal Destruindo as ilusões. É um remoinho de vento É o céu enluarado É como um cata-vento Que vira p’ ra todo o lado. “É um querer e não querer” É um amor sem ter amor Dá alegria ao sofrer Dá-nos mágoa e amargor. A Vida é um curto tempo Que a morte nos quer dar Alegria e sofrimento É uma forma de estar. Mesmo assim eu amo a Vida Com suas contradições Embora co’ a alma ferida Ainda tenho ilusões ! * QUADRA DE MIM Triste palavra a solidão Que aparece em meu caminho Faz sangrar meu coração Pela falta de um carinho ! * ESTAÇÕES DE UMA VIDA Uma manhã acordei era criança e fui adolescente num outro amanhecer e no meu coração ficou a lembrança desse tempo lindo, esse alvorecer. Veio uma outra manhã e era mulher, acordei deslumbrada e a sorrir... Tinha lindos sonhos e um forte querer acreditando no amor e no porvir. Depois veio uma manhã radiosa e o Outono entrou na minha vida e eu continuo à espera e ansiosa de uma coisa etérea e indefinida. Mas a mágica da poesia a espairecer e o amor ardente e tão profundo... São neste meu lindo entardecer o melhor da minha vida - o meu mundo ! * O NADA NA MINHA VIDA Quando tenho as mãos cheias de nada e lembro o teu olhar perturbador acho a vida oca e amargurada por já não poder ter o teu amor. É um nada a solidão em minha vida é um nada o aparentar alegria quando a minh’ alma já tão sofrida vai definhando pouco a pouco, dia a dia. Meus olhos disfarçam com seu brilho o denso véu que envolve meu coração é um caminho difícil, é um trilho que é companheiro da minha ilusão. Não há ninguém a ti igual olho em redor e nada vejo tudo me parece vulgar e tão banal nada provoca o meu desejo. Caminho por caminhar vou vivendo por viver algo ensombra o meu olhar por não poder mais te ver. * O GÉNIO DO AMOR Ondina me apareceu suave pela madrugada e eu pensei ser sonho meu por ele ser visitada. Será dele que me vem o dom de querer escrever? Ou das forças do Além p´ra afastar o meu sofrer? Escrever é a minha vida o palco todo o meu mundo é mais leve a minha ferida com este querer tão profundo. Sinto-me Oceanide no mar na terra simples mulher por isso não sei amar mesmo quando alguém me quer. Amo todo o Universo, amo Deus meu Criador, meu querer anda disperso firme e arrebatador. Com esta divagação mostro um pouco da minh’ alma e repouso um pouco então nas noites plenas de calma. Não sou um ente qualquer sou poetisa e mulher ! * QUEM FALA ? Em meu redor há solidão toca o telefone pondo alegria no ar alegra-se o meu coração pois com alguém vou falar. Está lá, digo eu, quem fala? Eu te amo, diz-me uma voz, mas logo em seguida se cala possuída, talvez, por um medo atroz. Medo de ser repelida por mim quando estou zangada. Mas o silêncio torna-me ofendida e ainda fico mais arreliada. Diga quem é, por favor, deixe o coração falar de cá fala a mulher sem amor dai o homem que a quer amar. A voz é grave, suave como veludo, mas eu nem sequer posso responder. Você diz pouco, não diz tudo, e eu continuo sem perceber. Ora diga lá quem fala não esconda a sua identidade, todo aquele que se cala não merece piedade. Quando voltar a falar eu pouso o auscultador. Não me apetece aturar alguém que não tem valor ! * FINGIMENTO Há casais apenas com amizade e só sentem um intenso torpor nem sequer têm a felicidade de sentirem o verdadeiro amor. Estar juntos por comodismo só para dar satisfação ao mundo saiam por favor desse egoísmo e mergulhem num amor bem mais profundo. É tempo de acabar com o fingimento deixem o vosso coração falar ponham fim a esse sofrimento e ganhem muitas asas para voar. E com este conselho assaz ajuizado creiam, o amor nunca é pecado. * O MEU PALCO Meu palco lugar de magia onde minh’ alma flutua e o meu corpo se delicia sendo inteiramente tua. Quando meus pés te pisam toda a dor desaparece os versos se eternizam no calor da minha prece. Palco, mar das minhas emoções és a voz do coração e o expressar das paixões na cratera dum vulcão. Palco, vida da minha vida amarra onde me abraço já nem sequer sinto a ferida na teia onde me enlaço. Palco, irmão da poesia lenitivo para a dor és a grande sinfonia nas mãos do compositor, Eu te amo palco amado que a arte fazes viver és o refúgio sagrado onde afogo o meu sofrer. Ao pisar-te meu palco, sinto-me renascer! * OLHOS NEGROS Teus olhos negros profundos procuraram outros mundos no negro do meu olhar mas neste meu coração vive só a recordação de uns olhos da cor do mar. Eu só quero uma amizade esta é a amarga verdade nada mais eu posso dar e então os olhos teus procuram em vão os meus pois não sou capaz de amar. Tua beleza viril pode ter encantos mil para um outro amor qualquer eu vivo na fantasia de escrever minha poesia e ser apenas mulher. Muitas voltas dá o mundo e pode um amor fecundo um dia me visitar não sei qual o meu futuro mas agora é mais seguro ser tão só e não amar. * UM DIA RENASCEREI Nunca "gastámos as palavras meu amor" o tempo passou e o nosso amor cresceu havia entre nós um estranho fulgor uma dádiva divina do Bom Deus. Agora a minha vida é escuro breu olho o sol no seu lindo esplendor mas por vezes penso que não sou eu vendo o meu olhar com amargor. E vou pela vida fora entontecida o desgosto deixa-me estarrecida mas minh " alma tenta sempre entender. Quando quero soltar um gargalhar quando rio e também quero cantar para assim poder um dia renascer. * CHAMA INVISÍVEL Minha boca ressequida sem teus beijos minh’ alma estarrecida e o meu corpo sem desejos. Meu coração sem amor meus sentidos estão tão frios a falta do teu odor põe meus anseios vazios. Meus braços já não abraçam meus olhos já sem fulgor sentimentos se entrelaçam entre o frio e o calor. Estranha contradição só vagueio sem cessar procuro uma ilusão mas não a posso encontrar. E neste vaguear constante neste existir sem sentido o meu eu tão anelante não se sente defendido. * PENSAMENTOS SOLTOS Barco perdido no mar fugindo à onda gigante que o pode envolver e o pode destroçar. Náufrago perdido no horizonte com a ânsia de achar a lancha salvadora que pode afinal perdê-lo. Braçadas em vão nas ondas traiçoeiras, olhos perdidos no azul do céu, mar, só mar e solidão, solidão que pode afundar esse náufrago ansioso por sobreviver. Chuva de prata derramando lágrimas pela solidão daquele ente sem amor, vazio, vazio, em sofrimento e dor, ansiando uma ilha que nunca pode alcançar... Triste e cruel destino !... * Quando me sussurras ao ouvido aquilo que em ti despertei não sei se acredito ou duvido se de te ouvir eu gostei. * PERTURBAÇÃO A paixão perturba os sentidos o querer faz a alma pairar ouvem-se ternos e lânguidos gemidos mas, sem amor, amar não é amar. Adeja o coração com os olhos a brilhar a voz suaviza deixando ferida a boca pede beijos em seguida mas, sem amor, amar não é amar. Que contradição o querer e não querer que dúvida atroz que se lamenta paixão sem amor faz varrer qualquer sentimento que atormenta. Por isso digo e ao vento vou gritar sem amor, amar não é amar * A MINHA PÁTRIA Oh, minha Pátria amada por todos tão devastada Pátria onde eu nasci, cresci, amei e vivi, onde vivo desolada! Por te ver amargurada Pátria do meu coração, Pátria da minha emoção, Pátria, meu país tão desolado, Pátria revive e honra teu passado. Eu te amo Pátria amada e deito lágrimas de sangue por te ver tão destroçada ! * GRATA SENHOR Há um vendaval de emoções na minha alma amargurada que provoca comoções e me deixa tão cansada. Eu mergulho na poesia p "ro espírito espairecer vivo sempre em fantasia pois não quero mais sofrer. O palco é o meu mundo a Tertúlia o meu sonho a poesia amor profundo tornando o meu eu risonho. E bastante perturbada e com todo o meu fervor digo muito emocionada obrigada, meu Senhor ! * VIDA Vi o sangue a correr da minha boca vi a minh " alma em frangalhos, julguei que já estava louca que a minha vida era pouca para suportar tais atalhos. Atalhos que a vida tem desgostos do coração renúncia que vai e vem calcando minha emoção. Então soube compreender, com lágrimas em meus olhos, que é bom saber viver neste grande mar de escolhos. Não quero parar de viver solto livre as paixões é bom saber conviver com as minhas emoções. Vida errante e traiçoeira que matas sem compaixão és a grande companheira do meu frágil coração. * FANTASIANDO Noite cerrada alma deslumbrada manhã de nevoeiro o corpo floresce por inteiro. O sol resplandecente o meu corpo deixa quente e o coração fica frio por tanto, tanto vazio. Um vazio preenchido em horas de deslumbramento mas é sempre um vazio, tão vazio... quando perde o encantamento. Quando o pensamento tão firme domina sempre os sentidos o espírito fica feliz e os sentimentos perdidos. Custa muito e é dolorosa esta batalha infernal que me deixa duvidosa se é por bem ou por mal. E com toda esta fantasia que a minh " alma inebria a vitória é da poesia ! * JARDIM DA ESTRELA, UM ENCANTO Lago verde tão profundo onde o meu olhar se deleita tanta beleza no mundo que a Natureza tão bem enfeita. Patos de lindas cores vão nadando pedem comer com ares gulosos e a minha alma vai navegando por estes verdes tão deleitosos. Árvores mimosas da cor do mar flores espalhando o seu odor relva viçosa a rebrilhar dádiva divina do Criador. E o sino toca os seus harpejos nos lábios secos há orações os namorados trocam seus beijos e há solidão nos corações. Tanta contradição meu Senhor tantas belezas espezinhadas com fé peço-Vos um favor tem dó das almas atormentadas. E eu, como poetisa, fico extasiada deito minha revolta ao vento a vida mesmo desencantada é um frescor p’ ro sofrimento. * FLUTUANDO Na fogueira do teu olhar tão ardente Minha alma se queimou e se rendeu, Meu corpo se entregou e se ofereceu Erguendo uma paixão incandescente. Jurei ser tua, só tua eternamente, Todo o meu ser de prazer desfaleceu... Flutuei nas nuvens e subi ao céu Por te amar assim perdidamente. Nesta ânsia irreal e quase louca, Acho que a minha vida é tão pouca Para me deliciar com tal paixão. Nesse fogo abrasador me vou queimando, Hora a hora, dia a dia, relembrando Para acalmar meu inquieto coração. * AMAR POESIA Se declamo com ardor todos os versos É porque na alma sinto o que o poeta quis dizer, Não gosto de ver poemas tão belos, assim dispersos, Nem destroçados, quando alguém não sabe ler. Poesia tem que sentir-se na alma, Poesia dá-nos uma doce calma, Poesia ajuda-nos a viver... Tem que ser respeitada e divulgada Tem que ser amada e bem tratada Poesia é essência de viver!... *** POETAS DA VIRAGEM Ó meu Vate Sadino tão amado, nossa Tertúlia te rende homenagem... E para que teu nome seja louvado não perderemos nunca a coragem. Teu rosto nas estrelas está gravado teus poemas murmurados pela aragem... Teu mérito em nossas almas está marcado nós somos os poetas da viragem!... Lá no imenso e lindo azul do céu, onde repousas como num clarão de luz, Bocage vela por todos nós e dissipa o véu da pobre ignorância que os fracos seduz. Morreste tão pobre e tão sofredor mas do lirismo foste o grande génio e rei... gritaste tua dor revolta e o teu amor ao vento, ao sol, ao céu e a toda a grei. América Miranda In VENDAVAL DE EMOÇÕES * CORAÇÃO AMANTE E VAGABUNDO Meu coração, em chamas, vagabundo envolto em mãos níveas de luar é triste, é alegre, é gemebundo gritando alegria ao chorar. É volúvel, meigo e mui profundo quer e não é capaz de amar procura o maior amor do mundo e pensa nunca mais o encontrar. Pulsa sempre muito acelerado tão frágil e desencontrado no seu toque leve e saltitante. É volúvel e inquieto como o mar dá voltas sem destino ao verbo amar mas é afinal um grande e belo amante. * CORAÇÕES SOFRIDOS Faço versos para te endoidecer se endoideces fico arrependida jogo à cabra-cega com o sofrer e brinco doidamente com a vida. Martirizo o teu grande coração firo sem piedade e sem temor a eternidade da nossa união e o rescaldo doloroso deste amor. São assim os corações tão sofridos vivendo a vida inteira arrependidos. * DESABAFANDO Neptuno imponente e dominador olha-me com o seu ar feroz lança água com todo o seu furor pois não gosta deste mundo tão atroz. O universo tão cruel está desfeito e os deuses não gostam de observar a crueza do homem imperfeito que só pensa em destruir e matar. Vénus, a deusa do amor, envergonhada esconde a palidez do seu rosto já não quer de modo algum ser amada receando o porvir e o desgosto. Até os deuses revoltados acompanham nossa dor sentem-se também desesperados por este caos demolidor. Que foi feito do meu mundo que eu amava loucamente? Deixo aqui um lamento tão profundo, à Humanidade, sem vergonha e tão demente. * PARA TI MIGUEL Veio lá do Infinito com suas asas de arcanjo o protector São Miguel para abençoar um anjo. Um anjo de candura com sua pele de cetim menino de formosura tão belo como o jasmim. Seu nome é Miguel Ângelo é um menino adorado é o meu querido bisneto por todos tão bem amado. * PARA A MILA Há um repicar de sinos na torre da nossa Igreja os anjos cantam os hinos e todo o céu já arpeja. O Infinito anilado o vento embala os trens hoje é dia consagrado venho dar-lhe os parabéns. Mas parabéns de verdade pois muito lhe quero com uma enorme amizade. *** SONHO ERRANTE Lancei meu coração cansado ao mar imenso de espuma e ele ficou embrulhado por uma nuvem de bruma. Navegou por mares distantes naquela barca encantada que tornava estonteantes sonhos d’ alma amargurada. E em braçadas anelantes meu coração perturbado imaginou ver gigantes e um barco abalroado. E sofrendo sem cessar lançou um grito de guerra zangado com o imenso mar pôs seus pés firmes em terra. * MEMÓRIAS Memórias vivas na mente fazem o homem sonhar está preso àquela corrente não sendo capaz de amar. Sua alma está doente não deixa o coração vibrar é uma ânsia tão demente barco à deriva no mar. Navega noutra paixão entrega o teu coração deixa o passado morrer. Deves ser feliz então entregue à tua emoção que te fará renascer. * AVISO AO HOMEM Por seres inconstante e traiçoeiro mentiroso e aventureiro Envergonha-te Por seres vaidoso e arrogante convencido e petulante Envergonha-te Quando encontrares o amor verdadeiro e ele for p’ ra ti sempre o primeiro Quando na carne sentires o sofrimento e no teu coração arrependimento ... Então deita a vergonha aos céus e pede perdão a Deus ! * NASCEU POESIA Nas vagas encapeladas do mar não sinto o tempo passar quando olho as estrelas no céu penso que o mundo é só meu. E sinto-me jovem e feliz embora só, porque o destino assim quis. Não ando perdida no tempo dei volta ao meu pensamento sinto-me moura encantada num castelo aprisionada. Madrugadas frias e cortantes aquecem meu coração como dantes como é suave a brisa no meu rosto apagando com beijos meu desgosto. Sou uma nova mulher que luta e sabe o que quer que anda de mão dada com o luar e leva a vida inteira a sonhar. E nesta grande cumplicidade procuro de mansinho a felicidade e tudo minha alma inebria quando em mim nasce poesia. ** MEU APELO Os passarinhos implumes olham o céu com temor as águias fitam nos cumes o céu tão ameaçador. Raios riscam o Firmamento trovões com força vão soando e o homem não tem no pensamento o quanto a vida está mudando. Há fome, ódio, revolta e guerra, há violência, egoísmo e desamor, afinal só maldade a vida encerra vencendo a beleza do amor. O poder enorme e destruidor vai invadindo toda a terra é um peso enorme e demolidor que a Humanidade fere e aterra. Que saudade dos tempos idos, da infância de mimosas flores, dos amigos tão fiéis e tão queridos, das primaveras e dos seus odores. Homens cruéis e mentirosos, mulheres entregando-se sem pudor, pisam os mais fracos os poderosos sem fé, sem piedade e sem temor. Senhor, manda à terra um pouco de bondade envia-nos o Teu auxílio e protecção perdoa, por favor, à Humanidade tanta crueldade, maldade e traição. Só o Criador, lá no Firmamento, pode pôr fim a tanto sofrimento ! ** NAS ASAS DO DESALENTO Entrei na noite turva com o segredo da névoa na minh’ alma calaram-se os meus gritos na curva e na margem dos meus lábios veio a calma. A aurora cega dos meus desejos dá-me uma terrível espera sem luz suplico ao sol ardente os seus beijos mas só o seu calor me seduz. Passa por mim irreprimível vertigem de querer o que não posso alcançar como a pura e singela virgem que quer e não se quer entregar. Vejo jorrar enorme flama no cintilante e pérfido olhar o desejo faz nos meus seios a chama trepidante no seu quente arfar. Mas vou só voar com o próprio vento caindo nas asas do meu desalento. * ALMA FEBRIL A lua irmã gémea da minh’ alma soberana e altaneira espreita o mundo põe nos corações tão suave calma que nos desperta dum sono tão profundo. Raia o dia, vem a luz do alvorecer o sol vem depois tão incandescente que desperta os desejos da mulher deixando no seu corpo chama ardente. Os sentidos inertes vão despertando o coração bate descompassadamente o corpo em fogo vai vibrando e a paixão surge inesperadamente. Paixão ilusória e assaz demente pois o outro ser é só imaginação sonho é magia que enche a mente e alucina nosso frágil coração. E assim vivendo a sonhar levo a vida inteira a imaginar que sou outra e não sou eu vivendo num mundo que é só meu! * SER PECADORA E MULHER Eu piso as pedras da calçada por não poder pisar teu coração eu queria amar e ser amada com o fervor d’ outrora e devoção. Mas um amor único e profundo uma paixão ardente, avassaladora, fazendo-me esquecer todo este mundo e ser apenas mulher e pecadora *** INSPIRAÇÃO Minha mente inspirada obriga-me a escrever mesmo estando atormentada piso todo o meu sofrer. Caio nas asas da fantasia sonho com seres alados respiro o odor da maresia ao ver os mares desbravados. Minha fértil imaginação passeia no céu anilado enche minh’ alma de comoção no Firmamento estrelado. Mergulho no sol ardente que põe o meu corpo a arder e nesta ânsia fremente vivo só, mas sei viver. Subo a montanhas e vales embrenho-me no labirinto vou esquecendo os meus males e só a mim é que minto. E nesta correria louca que percorro sem cessar a minha ansiada boca nunca diz o verbo amar ! * VOA PENSAMENTO Perdida entre as coisas terrenas e olhando a luz do Firmamento olho as lindas e brancas açucenas e deixo voar meu pensamento. Como gaivota perdida meu olhar procura o teu sou uma árvore fendida pelo raio que veio do céu. E desvio o meu do teu olhar navego na sua cor cristalina penso que vou, mas não vou amar com o meu jeito de mulher e de menina. Perdida entre a ilusão de ser e não ser simples mulher dou rédeas ao meu coração para que ele faça o que quer. O meu devaneio é o canto de uma alma inconstante é uma prece, é um pranto que não se queda um só instante. ** QUERER E NÃO QUERER Chamaste-me poetisa do amor amo o amor mas já não amo na minh’ alma há intenso fervor e, em sonhos, por ti anseio, por ti clamo. Na profundidade do meu ser eu chamo dos sentidos e da alma todo o calor e quando com amor os versos declamo são afinal a lembrança do nosso amor. Procuro um pouco ansiosa e perdida um amor maior que a minha vida uma paixão febril e muito ardente. Mas é só uma efémera ilusão porque o meu pobre e frágil coração diz afinal aquilo que não sente. ** DESOLAÇÃO O mar a terra vai invadindo as gentes assustadas vão fugindo pedindo auxílio ao Criador as casas uma a uma vão caindo e da terra ensopada emergindo uma onda enorme de terror. Portugal que foi abençoado sente-se amargurado pois nada pode fazer mas existe sempre a esperança de um dia vir a bonança que o fará renascer. Nosso povo já sem fé quer continuar de pé mas já não sabe rezar olvidou o poder da Natureza a sua enorme grandeza que o poderá derrubar. Deus que tens lágrimas nos olhos não nos mandes mais escolhos perdoa a ingratidão dum povo amargurado já sem forças e assustado mas que te pede perdão. * NO SILÊNCIO DA NOITE No silêncio da noite chora meu coração não tem lugar onde se acoite fugindo à desilusão. Meus olhos fixam o Firmamento ando a dançar com as estrelas entrego o meu coração ao vento não há sequer um lamento na fusão do meu eu com elas. Vou nadando contra a corrente minh’ alma incandescente não consegue refrescar não quero e quero não sei o quê fujo sem saber porquê e afinal quero parar. Com receio fujo à vida sendo uma mulher vivida dou-me bem com a solidão tenho o mundo inteiro na mão e não o quero agarrar é ilusão o meu sorrir e como creio no porvir levo a vida a sonhar. E assim sonhando mergulho no mar profundo para fugir às misérias deste mundo. * AMOR SEM TER PAR O mar encapelado beija com fúria a areia e o náufrago apaixonado procura a sua sereia. Cabelos cor de carvão lábios grossos sensuais pleno de amor e emoção mergulha nos vendavais. Vendavais da sua alma perdida no horizonte sem ter rumo, sem ter calma seu coração anda a monte. Surge então das águas esverdeadas a sereia dos seus vivos anelos e o seu corpo de escamas prateadas envolve o homem nos seus cabelos. Veio o amor e a paixão veio a lava incandescente ficaram com um só coração unidos na paixão ardente. E foi assim que no imenso mar nasceu um amor sem ter par. * AVISO Toda a mulher de agora põe as rédeas ao marido espreita-o a toda a hora e ele anda todo encolhido. À socapa vai treinando para ter outra qualquer mas fica tremelicando com receio da mulher. Da maça lá vai o rolo se não anda direitinho o homem é mesmo um tolo quer ser forte e é fraquinho. Entre homem e mulher deve haver compreensão se ela quer e ele não quer aí vai a confusão. Tenham juízo, ó casais, modernice é de mau gosto se não se amarem demais vão ter decerto desgosto. *** MINHA SAUDADE (*) Lembro com enorme felicidade que no mundo não havia mais ninguém quando a noite era só nossa, que saudade! Teu beijo era um sol escaldante teus olhos céu de estrelas e luar meu corpo ansioso e palpitante pedia ardentemente p’ ra te amar. E amei-te sem limites sem barreiras, nossos corpos ardiam em fogueiras, o amor e a paixão nos abrasavam e de nós poucas coisas restavam. Eram os corações e os sentidos, nossos corpos sempre unidos, era o amor, meu amor. Quando partiste tudo escureceu meu ser esfriou e estremeceu hoje vivo de belas recordações indiferente a novas emoções. Porque partiste tão cedo? Sem ti, amor, tenho medo... Medo da solidão medo de já não ter coração! América Miranda In A MAGIA DAS PALAVRAS (*) - Poema premiado em Itália com «menção honrosa», no Concurso "Pensieri in Versi 2006" *** JESUS SALVADOR Jesus nasceu pobre, mas com amor andou descalço, pregou a igualdade falava aos homens com tal fervor ensinando-lhes a fé e a liberdade. Num mundo de tremenda iniquidade, num mundo sem esperança e com terror surgiu um homem todo claridade para pregar a lei do Criador. Jesus, sofreste tanto e quase em vão pois a humanidade não tem coração duvidando da tua existência até... Perdoa-lhe, por favor, tanta ignorância, perdoa-lhe o poder e a ganância e envia-lhe uma migalha de fé. * ANO NOVO Ano Novo, vida nova, que esperança Ano Velho passou, não deixou saudade, neste ano que nasceu veio a criança esperança de uma enorme felicidade. A criança vai crescendo em liberdade povoa de sonhos essa imagem quer varrer do mundo a iniquidade mas é um sonho vão, uma miragem. Vai sempre crescendo em desilusão faz-se um homem viril e sedutor não quer entregar seu coração e foge eternamente do amor. Ano Velho, Ano Novo, eis a prova da vida que sempre se renova e por muitos anos que vivamos haverá sempre os terríveis desenganos. *** TANTAS SAUDADES Estou com saudades, amor, julgo não poder estar mais só recordo momentos bons com fervor e da minh’ alma sofrida tenho dó. Dó de querer de novo amar e não poder ninguém consegue ser como tu, meu amor, eras único e especial no teu querer eras a minha luz, o meu sol, o meu calor. Por isso morro de saudades e vivo só por viver no meu eu há tempestades que arrefecem o meu ser. E nesta vida tão dolorida vou arrastando minh’ alma ferida vivendo sempre a recordar ** A MINHA SINA No meio do silêncio e solidão descobri que afinal ainda tenho coração. Um coração pleno de melodia que sabe amar e perdoar embriagado com a poesia. Também sabe desprezar e calcar seus sentimentos e é capaz de flutuar na embriaguez dos momentos. Recalcado foi pulsando ganhando asas p’ ra voar e de leve foi brincando com quem não queria amar. Minha terna e doce poesia eu amar-te nunca queria mas vivo porque existes em mim e amar-te-ei até ao fim. E é esta a minha sina que o destino me traçou ainda eu era uma menina. * OSCILAÇÃO Poisei os pés na areia ardente refresquei-os nas ondas do mar e como lava incandescente senti meu coração queimar. Queimar de angústia e dor por ver o mundo cruel e neste imenso fragor vi minha vida em tropel. Num tropel desenfreado numa luta tão intensa meu eu tão amachucado apenas sofre e já não pensa. O Pensar muito é sofrer e assim não quero pensar e neste imenso querer não sou capaz de parar. Parar é como morrer viver é uma enorme luta e neste querer e não querer há uma enorme disputa. Afinal com tanta contradição oscila o meu coração. ** AO MEU FILHO, NETOS E BISNETO Neste mundo imerso em terror em que se pisa e se mata com desdém há um imenso e eterno amor o amor mais lindo, o amor de mãe. Amor que dá e não quer receber amor que é sacrifício a sorrir amor de um enorme e imenso querer dádiva divina que enche o porvir. Dá-nos ansiedade e dá-nos calma é o mais puro, o mais sublime é um pedaço da nossa alma é algo superior que nos redime. Ser mãe três vezes que alegria, que mais posso esperar, meu Criador? Falta-me o amor que me preenchia mas algo me compensa, meu Senhor. E assim com o caudal de lágrimas nos meus olhos já não vejo no meu caminho tantos escolhos! ... UM HOMEM QUE AMA ...... Um homem que ama o seu passado e não vive feliz no seu presente é um homem triste, amargurado, que não sabe, afinal, o que é que sente... ** BOCA QUE MENTE Quando minha boca te diz não e a minh’ alma diz um sim há uma enorme contradição brigando dentro de mim. Os olhos pedem amor e brilham ardentemente mas escondem o seu fulgor pois sabem que a boca mente. Mente porque tem pavor de viver uma paixão e neste ardente fervor há outra contradição. Contradição tão carente do muito querer e não querer e assim vivo velozmente para evitar de sofrer. ................. Vem amor, vem acender as luzes que iluminam meu coração tal como a nora e os alcatruzes inundados de paixão! ** AMOR ILUSÓRIO Abraça-me bem esta noite e nunca me esquecerás lá fora o frio é um açoite e em meu corpo aquecerás. Não encontro as palavras do tamanho deste amor são tão suaves e bravas que nos inspiram temor. Aquele enorme temor que nos dá uma ilusão pois este ilusório amor vem só da imaginação. * OLHAR FERINO O seu ferino e pérfido olhar olhou gulosamente o meu corpo e o meu ser prestes a se revoltar ficou insensível, como morto. Sem desejo existe apenas repulsa sem amor nada pode existir e da minh’ alma ardente ficou expulsa a ideia de lhe voltar a sorrir. Um sorriso amigo não é amar um gesto de amizade não é paixão porquê então alguém pensar que pode conquistar meu coração? A vida está tão cheia de iniquidade que de viver feliz nos falta a vontade. * NASCEU POESIA Nas vagas encapeladas do mar não sinto o tempo passar quando olho as estrelas no céu penso que o mundo é só meu. E sinto-me jovem e feliz mas estou só porque o destino assim quis. Não ando perdida no tempo dei volta ao meu pensamento sinto-me moura encantada num castelo aprisionada. Madrugadas frias e cortantes aquecem meu coração como dantes como é suave a brisa no meu rosto apagando com beijos meu desgosto. Sou uma nova mulher que luta e sabe o que quer que anda de mão dada com o luar e leva a vida inteira a sonhar. E nesta grande cumplicidade procuro de mansinho a felicidade e tudo minh’ alma inebria quando em mim nasce poesia. * MAROTEIRA Tentei brincar com a fogueira que ardia no teu olhar mas não encontrei maneira de fugir sem me queimar. Foi uma leve queimadura que só minha pela marcou e nem uma beliscadura na minh’ alma me restou. Brinquei com o teu desejo p’ ra afastar a solidão e não tive nenhum pejo de magoar teu coração. Seria uma crueldade ou apenas brincadeira? Resta só uma amizade p’ ra durar a vida inteira. ** DOCE FEITIÇO Teu feitiço doma o meu olhar e minh’ alma é prata derretida meu corpo nas nuvens vai voar e do mundo me sinto desprendida. Brinco com o amor e com a vida mergulho em silêncio no verde mar deito-me na areia adormecida deixando o coração sempre a pulsar. Quero ir ao Firmamento a bailar deixo meu ente entregue ao vento e quedo-me simplesmente a meditar. Não tem rédeas o meu pensamento meu seio tem um meigo palpitar que inebriante e doce este momento! * DIVAGAÇÕES Passo as mãos no meu cabelo olho o sol rutilante e gemebundo um pôr de sol é sempre pesadelo quando o dia foge moribundo. Não deixes roubar esse teu mundo arroxeado, verde e amarelo, mergulha o teu olhar no mar profundo e verás que renascer é sempre belo. Todavia o mundo é feito de amargura, ódios, guerras e vis traições e falsidades de tão longa dura. Nossos sonhos são só espuma e ilusões, a maldade cruel não terá cura e o mundo vai andando aos tropeções. ** DISSERTAÇÃO No Infinito vejo o teu rosto no anilado do Céu o teu olhar e ao dissipar o meu desgosto rio e choro do meu penar. Amo intensamente a Natureza desprezo a maldade humana e as mãos erguendo como quem reza eu sobrevivo na luta insana. Desprezo a mentira e a falsidade louvo o amor todo paixão mando p’ ra longe a insanidade que ao mundo traz perturbação. Esmago e piso a desilusão de um nosso alguém ser tão diferente daquela imagem de ilusão com que encantava toda a gente. Mundo cruel e enganoso mundo feroz e desumano mundo fútil e tão vaidoso mundo hábil no desengano. E com esta dissertação tão leviana abro p’ ra vós meu coração que não engana! *** QUADRAS DE CIRCUNSTÂNCIA À amiga Amélia A Amelinha muito querida fez mais um aniversário e com o lápis da vida vai riscando o calendário. * VAI DE MANSINHO Ao Sr. Eloy & Companhia Dois pombos a arrulhar com terno e imenso carinho e com fogo no olhar vão-se amando de mansinho. * América Miranda *** VIDA VELOZ A vida por nós passa extraordinariamente veloz muitas vezes sem encanto e sem graça desprezando todos nós. Eu queria “amar perdidamente”, disse-nos Florbela Espanca, com aquele amor resplandecente que nos dá vida e encanta. Mas onde está esse amor e o nosso Príncipe Encantado? Se a vida nos traz tanta dor deixando o coração dilacerado. Só por momentos se vislumbra a felicidade de resto a vida é uma torpe e terrível iniquidade! *** NO ROLAR DA VIDA Pelo rolar da esfera da vida vamos apodrecendo de saudades e a nossa alma fica estarrecida com o surgir das mentiras e das verdades. Gritam bem alto as fraternidades mas ferem profundo, deixando ferida com os ódios, traições e falsidades que deixam sofrimentos sem saída. Queria no espaço poder rolar entregar meu cansaço ao esquecimento p’ ra minha mente enfim descansar... Mas não posso este sonho realizar porque é inútil tentar mudar um mundo que nunca terá saída p’ ra mudar! ** ILUSÃO Porque mentes tu mulher para que queres o poder se nunca tu és sequer aquilo que julgas ser. América Miranda .................... MAIS RECORDAÇÕES Fomos eternos amantes saboreámos o amor e ao recordar esses instantes se aloja em meu coração tremenda e enorme dor. Dor de solidão e de saudade dor ao recordar a felicidade. Agora à minha volta tudo é vazio na minh’ alma há escuridão e imenso frio. Não é possível de novo amar e vou vivendo a recordar aquele amor tão profundo talvez o maior do mundo. América Miranda ** PARA O MIGUEL ÂNGELO A vida já me deixou ver teu aninho passar e no meu coração ficou mais tempo p’ ra te amar. És um anjo de candura és de ouro, meu menino, inspiras tanta ternura meu Miguel tão pequenino. * MATEI A FOME DE AMOR No meio de tristes e foliões esvoaçando no meu fato de cetim consegui ler naqueles corações a tristeza tão cruel que havia em mim. O sol beijou-me com seu calor aquecendo a beleza dos salões matei a minha fome de amor num banquete tão fútil d’ ilusões. Nas minhas veias soube sentir amor e luz na alma a transbordar acalentei a esperança no porvir achando a vida linda de encantar. * HORA CINZENTA Olhei o rio revolto igual ao meu coração, o céu escuro e tenebroso como a sombria paixão. Olhei a vida em redor iniquidade eu só vi, o mundo não está melhor nem ao longe, nem aqui. Num canto um par que se beija sem ternura e sem ardor, é carne que se deseja destruindo o puro amor. Sobre um soalho gelado sofre um ser sem revolta, está apático e drogado sem ver nada à sua volta. Porquê, porquê, pergunto eu, tudo se vai desmoronando, se a terra é linda, é belo o céu e com a beleza eu vou sonhando!... A chuva cai sem parar gelando minha alma ardente, eu continuarei a sonhar com um mundo tão diferente!... Louca fantasia de poeta... que o mundo quer modificar, prezas as mãos, nada fazem, escrevem apenas lutam em vão e nada fazem parar!... ** SONHO ANSIADO Meu sonho tão ansiado enquanto a noite dormia ninguém dormindo a meu lado minha cama tão vazia. E o meu corpo tão ardente no fogo se consumia e enquanto estava tão quente a minh’ alma arrefecia. Contrastes que a vida tem o de querer e não querer porque isto de amar alguém é sinónimo de sofrer. E o meu corpo aquecido pela chama que o queimou ficou logo arrefecido quando o amor não chegou. * SAUDAÇÃO Saudei a madrugada foi um deslumbramento e ao despertar encantada cantei ao Firmamento. Em redor a natureza os pássaros chilreando e embrenhada na beleza meu coração foi cantando. Olhei o sol radioso o céu no seu anilado ouvi um som mavioso de um flautim encantado. Agradeci ao Criador por mais um despertar e resolvi sem temor a todo o mundo eu amar. Amor palavra tão linda que alma vai embalando e na sua graça infinda o meu eu vai flutuando. E ao flutuar na beleza de um lugar imaginado agradeço à natureza este meu mundo encantado! * DE PAIXÕES SOU VENDEIRA Sei que sou vendeira de paixões mas não faz bem à minh’ alma pois danço num vendaval de emoções que não dão nem felicidade, nem calma. Tenho uns olhos sonhadores mas minha boca está cerrada ao beijo de novos amores pois continua amachucada. Mergulho nas ondas da poesia para amordaçar os meus ais e vivendo na fantasia escrever, para mim nunca é demais. Não amo ninguém e quero amar mas a saudade não me deixa ando na vida a saltitar sem um lamento, nem uma queixa. E esvoaçando com o vento e como a abelha beijando a flor vou guardando no peito o sentimento da recordação de um grande amor. ** RECORDAÇÃO E SAUDADE « 4 da manhã do dia 9 de Junho de 2007 » Afagando teu cabelo com paixão e com ternura o meu corpo era um novelo desnudado e sem candura. E aquela paixão fremente feita de fogo e de sal era uma chama latente que ardia no irreal. No irreal da paixão de entregas em desatino como a lava de um vulcão era o fogo o seu destino. Fogo daquela fogueira que inveja fazia à lua em deliciosa brincadeira eras meu e eu era tua. Penso em ti constantemente não dominando o sofrer e esta ânsia tão pungente nunca liberta o meu ser. E nesta amarga prisão feita de tanta ansiedade vai murchando o coração dominado pela saudade. ** ALMA EM TURBILHÃO Camisa aberta no peito com teu ar meigo e sensual tinhas um especial trejeito tão verdadeiro e tão real. Quero esquecer e não consigo quero e não posso ter calma lembrando teu corpo me martirizo ó alma gémea da minh’ alma. Corpo e alma numa terna fusão sentidos febris e em delírio saudade, por favor, tem compaixão e ameniza um pouco meu martírio. Amor e paixão fervilhando não podem ter repetição e assim sempre recordando tenho a alma em turbilhão. E por esta grande emoção nunca me apontem o dedo pois tenho o meu coração preso na ponta do medo! * NADANDO EM SOLIDÃO Lembro as roupas espalhadas pelo chão a boca húmida do teu beijo e esta sublime recordação acende em mim o desejo. Desejo de contigo sonhar p’ ra lembrar o nosso amor e este doce e amargo acordar toda me invade em doce torpor. A amarga e triste saudade não me deixa alguém amar e não tenho sequer a liberdade de a qualquer amor me entregar. Saudades dos nossos beijos do nosso amor tão ardente dos nossos quentes desejos como lava incandescente. Saudades, saudades, amor que matam meu coração e neste imenso amargor vou nadando em solidão. * MITOLOGIA Orfeu desceu aos Infernos para trazer Eurídice de volta à terra mas ela desapareceu na sombra dos invernos e à proibição de Hades, Orfeu declarou guerra. Vénus ou Afrodite, deusa do amor, pelos Romanos e gregos muito consagrada devotando-lhe eles enorme fervor pela sua natureza apaixonada. Volúpia, personificação do prazer Vulcano, o deus do fogo tremendo Vesta, a divindade do lar e do lazer Quimera, queimada morreu gemendo. Hero, muito amor despertou a Leandro seu apaixonado que atravessando o Helesponto se afogou deixando o coração da amada destroçado. Não falarei mais de vida amorosa dos deuses da mitologia greco-romana pois sendo eu uma crente fervorosa ainda serei considerada profana. ** CORAÇÃO CONTRADITÓRIO Meu coração não tem idade para se apaixonar e apanha a felicidade quando o amor vê chegar. Não sei se em tua vida há um lugar para mim mas sei que não sou esquecida e o que sentes não tem fim. Há entre nós saudade e atracção há carinho e cumplicidade estamos na ponta da paixão e no início da amizade. Tanta divagação no ar diz baixinho meu coração quando afinal o verbo amar é uma enorme complicação. E assim vamos vivendo de saudade deixando fugir p’ ra sempre a felicidade. * INQUIETA E SALTITANTE Era morena e graciosa com os seus seios palpitantes sua figura tão airosa era cobiçada pelos galantes. Olhar doce e provocante boca a despertar desejos num imaginário amante que a cobria com seus beijos. Seu andar leve e saltitante beijava as pedras das calçadas e o seu sorriso contagiante feria as almas magoadas. Tinha amordaçado o coração embora destilasse ternura e ao querer sentir paixão era apenas sol de pouca dura. Quem é afinal esta mulher que passa na rua tão inquieta? Não é um ente qualquer é simplesmente uma Poeta ! * ESFERA IMAGINADA Minha fértil imaginação rola na cama com alguém que não diz nada ao meu coração que não existe e está muito além. Um além numa esfera imaginada pela mente febril da poeta que amou e não quer ser amada e vive nesta vida tão inquieta. Inquieta no querer e não querer entregar a sua alma atormentada já não sei afinal se isto é sofrer se é de gostar de viver amargurada. Mulher volúvel e sofrida pára um pouco p’ ra pensar que mesmo sendo triste esta vida vale a pena tudo nela apreciar. Vive pois nessa bela recordação de teres vivido uma enorme e linda paixão! * FOGUEIRA APAGADA Jurei amar-te eternamente e entreguei-me àquela fogueira daquele amor tão ardente que julguei durar a vida inteira. Mas a dama de negro quis levar-te e deixar-me presa na agonia de em vão andar a procurar-te e achar afinal a vida tão vazia. Vazia, tão cruel e friamente destruiu as belas e quentes ilusões de uma paixão de lava incandescente destruída pelas mais cruéis desilusões. E nesta angústia plena de revolta a felicidade p’ ra mim já não tem volta... * VENDAVAL DESFEITO Passou o vendaval na minha vida e não deixou ficar perdida restos da paixão que eu não quis foi um deslumbramento mentiroso um juramento enganoso destrutivo e não feliz. A solidão é má conselheira engana-nos de qualquer maneira e não nos deixa pensar mas vem logo a prudência que aponta à consciência a forma certa de escapar. Escapando ao perigo iminente sentimo-nos outra vez gente e amando o lindo firmamento saudamos o sol radioso que nos aponta esplendoroso o final do sofrimento. * A FORÇA DA RAZÃO Mulher tens corpo de fêmea madura e a alma de criança imatura e nestas enormes contradições vais sofrendo algumas desilusões. Desilusões com amigos traiçoeiros que fingem ser tão verdadeiros e afinal são finos punhais com as almas tenebrosas dos chacais. Não é possível toda a gente amar e ter alguma compaixão por aqueles que só sabem invejar e têm pedras no lugar do coração. Mulher, vence a tua ingenuidade porque não podes mudar a humanidade. « xxx » Os seus olhos tão risonhos da cor do mel e da paixão revelam todos os seus sonhos e o seu belo coração ! « xxx » DEGREDO MÁGICO O horizonte brumoso está esfumado a folhagem escura do arvoredo dá uma lassidão ao meu corpo cansado e energia febril ao meu degredo. No rio com águas esverdeadas e espumosas escondem-se tufos de verdura e na minha mente sempre calorosa há vibrações da mais intensa ternura. Ruas arborizadas e áleas majestosas tem um brilho glauco a relva marginal parecem mulheres tímidas e receosas a caminho do seu leito virginal. As flores campestres têm matizes as árvores copadas e frondentes existem aqui fortes raízes alimentando almas tão sós e tão doentes. Neste verdadeiro ninho de verdura nesta nuvem de heras e roseiras atirei para bem longe a tristura e esqueci minha vida de canseiras. Assim entre trepadeiras entrelaçadas e nesta pujança tão surpreendente acabo estas linhas mal traçadas ditadas pela minh’ alma sempre ardente. « *** » PARAÍSO VERDEJANTE O Vouga verde e ondulante suaviza minhas noites frias e então o meu eu fica delirante esquecendo as coisas mesquinhas e vazias. A ponte sobre o rio é um encanto o vento sussurra no arvoredo parecendo o tímido e suave pranto dos que sofrem calados e com medo. Lá no monte dos sonhos o casario na varanda o sol beija o meu corpo e na minh’ alma já não há frio e o desejo de viver já não está morto. Amo esta beleza que me rodeia aspiro este ar com muito ardor a vida para mim já nem é feia sinto-me sacerdotisa do amor. E neste altar sublime e belo nesta força irreal da Natureza sinto meu coração assaz singelo e a minh’ alma plena de beleza. Vouga meu amante das horas de lassidão rio verde de encanto e de paixão. « *** » SILÊNCIO NA MINHA RUA Na rua da minha ausência há zéfiros a pairar há fantasmas de inocência e emoções a sangrar. Silêncio que é céu aberto Firmamento sem luar quando meu coração desperto bate, bate, sem parar. Na rua do meu tormento há gritos de mulher feita há risos, há sofrimento, pedaços de alma desfeita. Também há gargalhadas soltando enorme alegria mas são mágoas disfarçadas que rolam dia após dia. Silêncio da minha rua para mim tão especial lembra pedaços de lua em dias de vendaval. São vendavais de emoções são pedaços de ilusões. « *** » ILUSÕES Todos os meus segredos dormem na cama comigo e ao enfrentar os meus medos eu só sonho amor contigo. Afagando os teus cabelos já com fios de neve todos os meus anelos se perdem na vida breve. Breve pela tua ausência pois vivo só por viver e nesta enorme carência vou esmagando o meu sofrer. Solidão tão companheira de todos meus breves sonhos quero encontrar a maneira de os tornar bem mais risonhos. Mas a saudade cruel nunca me deixa esquecer aquele amor tão fiel que feliz me fez viver. E andando por esta vida aos tropeções a minha vida é uma vida de ilusões! *** TRILHOS DA VIDA És mágica e linda disse-me a tua boca e os meus olhos baixaram sonhadores só me trazias um caminho de ventura oca e semeado de muitas angústias e dores. Pelo trilho da minha vida surgiram alguns amores que repeli com a minha voz velada e rouca meus sonhos foram lindos e encantadores mas minh’alma de amores não ficou louca. É assim a vida quando um amor verdadeiro é sempre para nós o único e primeiro deixando um rasto de grande ansiedade. Vou magoando sem querer os corações vou semeando pelo ar algumas ilusões pois por ti, amor, vou morrendo de saudade! ** MORRER DE AMOR É tão bom morrer de amor e continuar vivendo pois no meio da imensa dor vamos chorando e gemendo. Apareceste um dia em minha vida e cingiste-me longamente nos teus braços e a tua imagem linda e querida nunca me deixa desfazer os laços. Laços de paixão e de ternura laços de amor tão envolvente laços de uma terna mistura laços de um carinho tão ardente. Por isso é tão bom morrer de amor e viver envolvida em terna dor. * ÊXTASE Vou murchando de saudade mas gosto imenso da vida e embora sem felicidade tenho a alma preenchida. Vou vivendo a flutuar no pós d’ oiro da poesia que me vem sempre salvar da vida oca e vazia. Num batel vou navegando a olhar o Firmamento levo o dia imaginando onde está meu pensamento. Pensamento delirante que a minh’ alma inebria pois apenas sou constante no grande amor à poesia. ** PAIXÃO DESFEITA Tua boca ávida do meu rosto pousou marota e com gosto na minha pele aveludada. Senti um frémito de prazer mas fugi louca a correr pois eu não quero ser beijada. Eu não posso amar alguém que ama todas e ninguém e que se sente tão vazio. Eu amo uma recordação que preencheu meu coração nas belas noites de estio. Tudo fugiu, nada ficou, entre nós pouco restou de uma enorme atracção. Eu sou livre como o vento não querendo em meu sentimento quaisquer restos de paixão. * GAIVOTA SEM RUMO Como a abelha que necessita da flor eu dia a dia precisava do teu amor e agora tal como a terra ansiosa necessito do sol e da chuva preciosa. Nem só por uma vez eu amei alguém assim por isso sempre me procuro e não sei de mim sou ave estonteada e de asa ferida não sabendo o que fazer da minha vida. Procuro ansiosa algo que não sei o que é revolvo-me em suores e angústias até mas vou vivendo a sorrir com o coração a sangrar não sei o que quero, nem onde vou parar... Sou gaivota sem rumo e perdida na imensidão deste mar que é a vida. ** MALMEQUER DESFOLHADO Um malmequer desfolhado parece o meu coração infeliz e maltratado pisado por um furacão. Cada dia vai ficando sem uma folha a adornar pois sem querer vai pisando a forma do verbo amar. Mas quando clareia o dia ao renovar seu vigor procura uma terapia que o cubra com seu ardor. Malmequer tão delicado rentinho aos canaviais apesar de desfolhado vai vencendo os vendavais. Os vendavais e agruras que a vida sempre nos traz mas vergando as amarguras de viver já é capaz. ** AMANTE SECRETO Tenho um amante em segredo que toda a gente conhece é o papel onde escrevo aquilo que me apetece. Nele ponho a paixão forte e efervescente mostro o meu coração a ele e a toda a gente. Beija-me as mãos com amor mas é muito ciumento pois se eu escrevo com ardor rouba-me o meu pensamento. Nele encontro guarida digo-lhe os meus segredos faz parte da minha vida e de todos os meus medos. Assim, se não o tiver por perto a minha vida é um deserto. * NAS ASAS DA FANTASIA Em sonhos voei ao firmamento falei com as estrelas dancei com o vento. Como uma nuvem vaporosa entrei no sol ardente sensual e langorosa. Fui beijar a bela lua plena de branca magia e minh’ alma já tão nua em amor se desfazia. O meu corpo assaz ardente foi sempre, sempre voando livre, solto, independente como um batel flutuando. E quando voltei ao solo e o lindo sonhar acabou veio então o desconsolo e o meu coração chorou. ** RECORDAÇÃO Quando amor te conheci fiquei presa ao teu olhar e nesse instante eu senti que muito te iria amar. Foi um amor tão ardente tão doce e apaixonado que o sol , um astro tão quente, ficou logo enciumado. As estrelas não gostavam ao ver meus olhos brilhar, pois certamente pensavam que o brilho as fosse ofuscar. Beijava meu corpo o mar mas sabia de antemão que eu só podia amar a quem dei meu coração. E todo o Firmamento quando nos via beijar parava por um momento só para nos poder espreitar. E foi tal o encantamento desse tão estranho fulgor que ficou escrito no vento para sempre o nosso amor. * DOCE FEITIÇO Teu feitiço doma o meu olhar e minha alma é prata derretida meu corpo nas nuvens vai voar e do mundo me sinto desprendida. Brinco com o amor e com a vida mergulho em silêncio no verde mar deito-me na areia adormecida deixando o coração sempre a pulsar. Quero ir ao Firmamento a bailar deixo o meu ente entregue ao vento e quedo-me simplesmente a meditar. Não tem rédeas o meu pensamento meu seio tem um doce palpitar, que inebriante e doce este momento! * AMOR SEM TER PAR O mar encapelado beija com fúria a areia e o náufrago apaixonado procura a sua sereia. Cabelos cor de carvão lábios grossos sensuais pleno de amor e emoção mergulha nos vendavais. Vendavais da sua alma perdida no horizonte sem ter rumo, sem ter calma seu coração anda a monte. Surge então das águas esverdeadas a sereia dos seus vivos anelos e o seu corpo de escamas prateadas envolve o homem nos seus cabelos. Veio o amor e a paixão veio a lava incandescente ficaram com um só coração unidos na paixão ardente. E foi assim que no imenso mar nasceu um amor sem ter par! * NAS ASAS DA VIDA Extraordinária emoção voar nas asas do vento e prender meu coração nas estrelas do Firmamento. Sobre a s nuvens cavalgar e beijar o sol tão quente com mãos cheias de luar enfeitar meu corpo ardente. Nesta longa caminhada por todo o Firmamento sinto minh’ alma lavada de todo o meu sofrimento. Percorro o céu anilado tão perto do Criador e num grito amargurado eu procuro o meu amor. Nesta procura incessante p’ ra acalmar meu coração sinto o meu eu tão vibrante delirar com a emoção. Musa tem dó de mim não me marques mais a ferida para que eu possa um dia enfim dormir nas asas da vida. * SONHEI COM JESUS Eu vi Jesus nos meus sonhos envolto no seu manto meus olhos assaz tristonhos brilharam plenos de encanto. Dei-Lhe a mão p’ ra caminhar no Seu ombro repousei e no Seu brilhante olhar meus receios descansei. Fiz-Lhe queixas deste mundo mostrei-Lhe grande desgosto e com um sorriso profundo Ele afagou o meu rosto. E o meu Jesus adorado com Sua auréola de luz limpou-me do meu pecado e aliviou minha cruz. Acordei maravilhada com o sonho tão fecundo sentindo minh’ alma lavada das torpezas deste mundo. * PRECE AO SOL O sol despontou radioso e eu saudei-o com alegria é um astro tão formoso que luz celeste irradia. Como eu gostava que este mundo fosse um Paraíso ideal mas meu desgosto é profundo por ver em redor imenso mal. Poderio, traições e fria guerra, fome, podridão e sofrimento, que tristeza meu eu encerra deitando para o céu o seu lamento. Firmamento, estrelas e luar, lua e o sol resplandecente e tão difícil rir e cantar ao ver sofrer tanta e tanta gente. Ergo meus olhos ao céu a pedir p ‘ro mundo muito amor e para que se dissipe o denso véu rezo amargurada ao Criador. Poetisa sou e queria ver um mundo matizado de flores e sem tristeza poder viver sem ódios, iras e rancores. Ó sol aquece os nossos corações afaga com teus beijos o meu rosto deixa-me viver só de ilusões para que não veja e não sinta tal desgosto. ** ** ALMA A NU Bendito o sol que nos alumia, bendita a chuva redentora, bendito o alvorecer de um dia, bendita a lua nossa protectora. O céu estrelado no Firmamento enche a terra de imensa beleza produzindo tal encantamento pleno de magia e realeza. É tão bom viver mesmo em tormento é bom respirar o ar com seu odor é bom viver num deslumbramento e olhar o mundo com muito amor. É bom sonhar com o impossível e ter brilho nos olhos tão risonhos é bom sonhar com o inatingível é bom viver com muitos sonhos. Nesta complexa dissertação neste escrever feliz e tão ardente ponho no papel meu coração e mostro a minh’ alma a toda a gente. * OLHOS NOS OLHOS Os teus olhos me disseram é mágico o teu olhar e os meus então se envolveram nessa magia sem par. Teus olhos me convenceram desse segredo a pairar e os meus logo absorveram a meiguice que há no ar. Olhos nos olhos que encanto que desejos tão escondidos provocando tanto pranto em dois corações feridos. E o verbo amar recolheu não quis da alma sair e a alegria feneceu quando te deixei partir. * SEMPRE SEMPRE DIVAGANDO Tomei banhos de luar de nuvens fiquei vestida mergulhei no alto mar buscando a ilha perdida. E nessa Ilha Encantada casando com a solidão fiquei tão maravilhada com toda essa emoção. Amando a Natureza beijando o orvalho das flores a minh’ alma ficou presa no perfume dos odores. E nessa solidão forçada dormindo com a luz da lua continuo extasiada porque um dia eu fui só tua. * VAGUEANDO Que doidice tamanha quererem ser iguais a nós porque quando a musa inflama faz-nos soltar nossa voz. Cada um tem a sua inspiração as musas são diferentes, desiguais, se escrevermos com o nosso coração todas as frases são divinais. Eu amo a poesia com loucura e dou-lhe a força da minha mão é uma essência que sempre dura e leva-me aos píncaros da emoção. * A VIDA É ASSIM A vida é um remoinho de vento é um vendaval de contradições apenas dura um certo tempo mas dá-nos variadas emoções. Domina o nosso pensamento faz-nos sentir diversas comoções ou ardemos de contentamento ou esmagamos os nossos corações. Temos curtas férias nesta vida e ela pára quando a morte bem quiser e pode ser muito alegre ou mui sofrida No entanto um grande amor faz-nos querer que ela seja prolongada e bem vivida pois a vida é a força de viver. * INCONSTÂNCIA Meu coração vagabundo sempre perdido no mundo sem ter ninho onde pousar procura a árvore esquecida que tem a folha caída mas não o quer acoitar. Como a abelha entontecida pousa numa flor perdida sugando seu doce mel é volúvel e matreiro é um triste companheiro com o seu amargor de fel. Quando vislumbra o amor foge com um certo horror pois nunca se quer prender é muito alegre e ardente é uma lava incandescente que se deixa arrefecer. E por tudo o que foi dito eu nem sequer acredito nesse pobre coração anda sempre, sempre errante, é atrevido e galante mas não se entrega à paixão. ** CANTA MEU CORAÇÃO Canta meu coração Por amares tanto o amor Canta com emoção E com todo o teu fervor. Pedro amou Inês linda Inês amou Pedro com paixão Apesar da mágoa infinda Foi encanto e sedução. A sedução dos sentidos Como lava incandescente Tem soluços e gemidos Mas é fogo muito ardente. Na solidão do meu leito Entre lençóis tão vazios Sinto corroer no peito Suores intensos e frios. Então lembro com ardor Nossos corpos abraçados Com aquele estranho amor Que é fruto dos muito amados. Essa paixão tão ardente Filha dum fogo interior Nunca de mim está ausente Plena de encanto e calor. Canta então, meu coração E agarra toda a emoção ! ** FRAQUEZAS Nesta fase outonal da minha vida senti-me sem força, sem guarida, quando a doença me derrubou. Eu luto contra ela menos aguerrida porque desta vez foi bem forte e atrevida e com autoridade se instalou. Mas eu vou expulsá-la, pois então, é o que me dita o coração que não quer parar de pulsar. Brigo com a fraqueza e a força ela bem quer que eu me torça mas eu sou mais forte e vou ganhar. Estas ilusões de poetisa são o meu lema, a minha divisa, p’ rós maus bocados ultrapassar. E até a solidão minha companheira se apresenta mais risonha, mais fagueira deixando-me aos maus amigos perdoar. * ENIGMAS Numa amálgama de tristes solidões e numa auréola de luz radiosa todos os meus segredos e minhas emoções escondem-se numa capa esplendorosa. Ignorar o mundo em meu redor e conseguir com ele conviver é um sentimento constrangedor saltando entre o ser e o não ser. Serei o que julgo ser ou o que sou? Será que vim a este mundo renascer? Será que dentro de mim o amor acabou nesta procura do desconhecido querer saber? Interrogações variadas e inconstantes desnorteiam toda a calma do meu eu meus medos vão passeando tão errantes num local em que estou só e é só meu. E com todas estas terríveis contradições e estes enigmas não desvendados vou confundindo certos corações sobretudo os que estão mais apaixonados. * AO MEU IRMÃO JOSÉ AUGUSTO Embora a idade nos distanciasse embora a diferença de feitios nos chocasse Tu amavas a tua irmãzinha filha da mesma mãezinha que tanto amor nos deu! Partiste no mesmo mês ao encontro dela foste formar mais uma estrela na imensidão do Firmamento e nós cá sem sabermos o que nos espera ainda vivemos numa ansiedade tão infinda esperando chegar nosso momento. Os teus olhos negros cor de carvão cabelos pretos anelados e brilhantes faziam prender o coração de tantas namoradas e amantes. Como é triste ver partir o homem que era uma pujança sentida e sem forças, alquebrado e sem sorrir, passou o resto da vida sem vida. Adeus, irmão amado, para sempre te irá recordar meu coração magoado! * DESEJO Quando os nossos corpos estremeciam e o beijo ansiado tanto tardava nossos ardentes anseios desfaleciam e o desejo no ar pairava, pairava ... Que ânsia fremente o desejar o beijo tardio e inconsciente quando o coração num louco pulsar de desejo escondido ficava doente. Amor, paixão, ansiedade ou iman latente sempre a vibrar? Fugir para quê de uma felicidade que a vida cruel obriga a afastar? Fica no teu corpo e no meu uma ânsia nunca realizada sonho contigo nos braços de Morfeu mas sonhar, só por sonhar, já não é nada. E assim a fugir, sempre a fugir, a minh’ alma obriga todo o meu corpo a mentir. * ..... Na lassidão dos olhos cansados lençóis de lágrimas rolaram p’ ra trás ficaram desgostos passados que de recordações se alimentaram. ..... * SEMPRE RECORDANDO Mágica era a nossa paixão tua boca tão suave e tão macia como o ribombar de um trovão minha vida ficou tão oca e vazia. Procuro refugiar-me na poesia e no palco absorver toda a emoção mas quando estou só estou tão fria que se apaga toda a lava do vulcão, Deambulo só e triste pela rua a minh " alma está insensível e nua pois não consigo apagar a recordação. Daquele amor tão forte e grandioso de um unir de corpos esplendoroso e assim vou matando a pouco e pouco o coração. ** PASSEIO DE ENCANTO Fui ver toda a paisagem E fiquei maravilhada Estava apenas de passagem Mas parei tão deslumbrada. Cores variadas das flores O verde da relva a rebrilhar Repuxos tão encantadores Pássaros diversos a voar. Ao ver toda a beleza dançando em meu redor a minh´ alma ficou presa deste enorme esplendor. A poeta em mim rejubilou Senti-me de novo a voar E o meu coração ficou Preso na luz do luar. E todo o Firmamento Meu corpo iluminou Dancei na onda do vento Que no mar me mergulhou. E assim presa do encanto Que os meus olhos tão bem viram Já não sei o que é o pranto E as lágrimas de mim fugiram. * DOCE E AMARGA RECORDAÇÃO Lembro-me que inventava fogueiras de prazer passando parte da noite acordada e hoje quero mas não consigo esquecer que fazíamos mais amor de madrugada. Aninhada em teus braços aveludados sentia teu coração tão forte a bater dormíamos ternamente abraçados e todos nossos gestos eram prazer. Saudosa do teu corpo e do teu ser sofro por estar tão isolada passo as minhas horas a escrever p’ ra não lembrar que estou amordaçada. Ninguém pode saber do meu sofrer escondo-o com uma forte gargalhada sou um ente que não quer dizer quando tem sua alma amargurada. * SONHOS DE MULHER Nos meus sonhos de mulher andam zéfiros a pairar e uma sede de beber a frescura que há no ar. Quero gelar meu corpo ardente com o frio da solidão mas a chama incandescente ao gelo põe um travão. Quero andar de braço dado com a amizade e o amor quero afastar do meu lado o desespero e a dor. Quero sorver com delícia aquilo que me agradar quero também ter malícia quando alguém por mim passar. E com malícia e pesar com alegria e tristeza trato ainda o verbo amar com toda a delicadeza. E p’ la vida a saltitar com tantas contradições consigo assim vislumbrar o valor das emoções. ** NUNCA MAIS Nunca mais, nunca mais, palavras que arrancam ais e a alma vão ensombrando não ver mais o ser amado no coração tão guardado sua perda lamentando. A dor maior vai passando mas o tempo vai lembrando toda aquela felicidade que fez meus olhos risonhos e agora estão tão tristonhos com a amargura da saudade. Porquê esta triste separação que amargou meu coração e que de fel o envolveu? Foi aquele cruel destino que o marcou desde menino mas que nasceu p’ ra ser meu. Na boca há sabor a fel mas recordo o doce mel dos seus ansiosos beijos apenas tenho a poesia que me embriaga e delicia e faz calar meus desejos. * PARA OS MEUS NETO E BISNETO Dois miúdos tão travessos com os seus olhos a brilhar viram tudo do avesso e só gostam de brincar. É o bisneto e o neto é o tio e o sobrinho p’ los dois tenho grande afecto e um enorme carinho. É o Guilherme e o Miguel dois meninos que são ouro têm a doçura do mel são os meus grandes tesouros. * SONHOS Não posso agarrar a luz do luar beijar a lua cintilante abraçar as ondas do mar e aquecer-me no sol faíscante. Se pudesse voaria ao Firmamento passeava no céu límpido e anilado fugia do mundo e do seu tormento e passeava no paraíso estrelado. Sonhos impossíveis da minha imaginação sonhos que povoam toda a minha vida sonhos que me trazem inspiração sonhos que me tiram a fadiga. Sonhar, sonhar com todo o meu coração para afastar com alegria toda a minha solidão. * A MINHA PROFECIA A chuva cai em correntes o dia está triste e nublado e o coração das gentes está dia a dia aterrorizado. O mal espalha-se por todo o lado o mundo imerso em terror o povo anda angustiado com expressão de imensa dor os opressores calcando os oprimidos regozijando-se com seus gemidos e rindo-se da sua fraqueza. Mas olhando à nossa volta apenas a natura tem beleza. Mas eu, mulher de força e poetisa, mulher de fé no Criador, acho que a minh’ alma profetiza que um dia o mundo será melhor. *** IMAGINAÇÃO Acordei sorvendo a frescura do ar senti-me de repente toda iluminada com fervor beijei o astro solar e abri portas à madrugada. Vi-me de estrelas enfeitada imaginei-me feliz a flutuar como um duende ou uma fada ficando na atmosfera a pairar. Ao fugir dos horrores desta vida embrenhei-me no sonho estarrecida pois é muito bom viver a sonhar. Tanta fome, tanto ódio e iniquidade, meu Deus, como é enorme esta saudade de vir a este mundo só para amar. * SENTIMENTOS OCULTOS Sei que moro no teu coração mas eu não quero lá morar quero fugir à emoção e ao perigo de poder amar. Finges que não me queres para poderes bem disfarçar todavia há tantas mulheres a quem podes cortejar. O teu amor é gelo arrepiante o fingimento, falsa mentira, porque não deixas ir por diante a grandeza de um amor que não te fira? Vê se consegues amar alguém ardentemente e talvez tenhas a teus pés uma mulher diferente. * ....................................... Em todos os passos que dou a saudade anda comigo o vendaval já passou mas nunca te olvido amigo. América Miranda ................ ** AO MEU JESUS Em Sexta-Feira Santa de 2008 Meu Jesus o Teu olhar pleno de ternura olha o mundo com imenso sofrimento pois neste Universo só o mal perdura e a bondade passou ao esquecimento. Morreste no maior padecimento p’ ra salvares esta triste Humanidade e foi em vão, meu Senhor, o Teu tormento pois o Bem foi vencido pela maldade. Vem de novo junto a nós, meu Bom Jesus encher o mundo da Tua claridade vem na Tua infinita glória e não na Cruz vem salvar-nos de toda esta iniquidade. Com Tuas mão divinas e milagrosas semearás um mar de imensas flores e no caminho de pedras dolorosas esmagarás o sofrimento e as dores. Vem de novo, meu Salvador, e planta nos corações o Teu Amor! ** GRITO SEM VOZ Vagarosa e silenciosamente quiseste entrar num coração que não quer amar ardentemente embora seja pleno de paixão. Ele quer amar e sempre diz não à fogueira enorme e incandescente que ardendo sem compaixão torna sua alma tão ardente. Isto de querer e não querer amar é contradição que faz desesperar até um ser humano mais feroz, É um contraditório sentimento é uma alegria plena, é um lamento, é, afinal, um grito enorme sem ter voz. * LIBERDADE Liberdade, bando de gaivotas a voar, força interior que ninguém pode derrubar. Liberdade de amar ardentemente, Liberdade de odiar livremente. Liberdade de amar o meu país, Liberdade de ser aquilo que sempre quis. Liberdade, asa de ave ferida mas que se levanta com vida. Liberdade palavra linda de dizer sem a qual não podemos viver. Liberdade palavra que ecoa pelo Firmamento Liberdade de soltar livre o pensamento. Liberdade não tem definição é, afinal, uma palavra plena de emoção. * O FOGO DO CIÚME Tinha ciúmes do sol que te beijava Tinha ciúmes do mar que te abraçava Ciúmes do vento que o teu corpo fustigava Ciúmes da chuva que o teu rosto afagava. Um ciúme possessivo mas meigo e terno Uma ânsia de te ter sempre junto a mim A Parca levou-te para o sono eterno E eu fiquei só e simplesmente assim. Assim sem o teu ombro amigo Assim sem o mel dos teus beijos A revolta veio morar comigo Mas em sonhos continuam os desejos. Desejos e recordações Ânsias loucas e frementes Vida cheia de ilusões Com sentidos acesos e dormentes. Amor e ciúme – Sentimentos tão quentes como o lume. * SOLAVANCOS Eu fui no autocarro P’ ra ir a uma reunião Ele deu um solavanco Que quase caí ao chão. Depois de me sentar Fiquei mais descansada Mas com outro baloiçar Já fiquei muito assustada. Agarrei-me com a minha mão Ao banco da minha frente E o meu companheiro de lado Minhas alianças viu de repente. Também estendeu sua mão Os seus anéis exibindo Para me fazer ver então Que era viúvo e “lindo”. Mas que grande parvalhão A tentar-me conquistar E eu sem disposição Para o poder aturar. ** SONHO IRREAL Sonhei que naveguei nas ondas do teu corpo que me bronzeei no sol do teu olhar e neste sonho irreal meu eu absorto deliciou-se com o prazer do meu sonhar. Cavalguei nas nuvens do Firmamento meu rosto mergulhei na abóbada celeste e este sonho ideal foi um tormento pois o acordar foi triste e bem agreste. Sonho porque não me sai do pensamento aquele amor tão firme e tão profundo que ainda hoje mantém o sentimento de uma entrega tão grande como o mundo. ** SE EU PUDESSE ROUBAR AS GOTAS DE LUAR QUE HAVIA NO TEU OLHAR SUBIRIA ALTO AOS CÉUS ENVOLVIDA EM VASTOS VÉUS NA HORA DO NOSSO ADEUS ! América Miranda * AQUELE BANCO Há naquele banco de jardim tanta magia E o ar tão impregnado de odores Que a minh’ alma para sempre ficaria Presa ao encanto das folhas de mil cores, Magia tão plena e tão vibrante Que quase descrevê-la nem sei Por ser forte, linda e inebriante Pedaços meus p’ ra sempre lá deixei. E a saudade do meu banco a fervilhar No meu ser ansioso e tão despido Fecha meus olhos p´ra poder sonhar Com um sentimento tão puro e tão florido. * COMO SOU EU Entre o medo, a amizade e o desejo Há em mim variadas contradições O arfar do peito na ânsia de um beijo E o recear o fim de tantas emoções. O desejo que há muito não sentia Esta força latente de muito querer Dá acordes ao meu eu de sinfonia Que embriaga, que sufoca e faz viver. Fujo e não quero fugir ao encantamento Da irrealidade de um sonho tão real Que aumenta o meu deslumbramento Fazendo-me tanto bem e tanto mal. Quero e não quero, sou e não sou, Sou apenas uma artista e tão mulher Que procura o que afinal não encontrou. ** OUTRA ORAÇÃO Roguei a Deus nas minhas orações Um pouco de paz p’ rós corações E Ele envolveu-me com Sua Luz E eu vi-me iluminada ao lado de Jesus. Meu Jesus adorado Ajuda meu ser atormentado! * SABER Sabedoria é a luz que nos guia Aprender faz-nos crescer em cada dia Rir e brincar faz-nos aprender a amar Essa vida tão preciosa que nos foi dada E que para todos nós deve ser sagrada. Criança aprende, estuda e ama a leitura É um bem que p’ ra ti sempre dura E no teu coração e na tua mente Saber é algo que te faz ser gente. Ser gente é uma dádiva do Criador Sê-o sempre, mas com muito amor. * EU AMO A AMIZADE Bem dizias que eu não sabia Projectar na verdade tua imagem Querias que te visse pleno de magia Mas o amor em mim ficou um pouco à margem. Possuir sem amor é uma quimera Desejar só com paixão é fantasia Ansiava um amor a saber a Primavera E não fogo que com o tempo se extinguia. Será que a amizade sem limites Vencerá todas essas objecções? Se formos só amigos estamos quites E não magoaremos nossos corações. Assim a amizade vencerá sem restrições A força do amor e das paixões. SAUDADE MEU TORMENTO Fervilhou a saudade no meu peito Meu batel de emoções está à deriva Fiquei triste, sem coragem e sem jeito, E da tristeza a minh’ alma está cativa. Navego num mar de ilusões Mergulho nas ondas de solidão Ando um pouco por aí aos tropeções P’ ra acalmar meu volúvel coração. Mas a saudade a moer sem piedade O remorso da renúncia a querer ferir Espezinhando o meu eu com tal maldade Destruindo a vontade de sorrir. E assim deste modo tão ferida Continuo sem norte e sem guarida. * MEU VOUGA Que cambiante de cores E os verdes da folhagem São quadros encantadores Que embelezam a paisagem. Meu rio Vouga ondulante Calmo e silencioso És como um belo amante Sereno mas tão fogoso. A revolta vais quebrando E quedo-me em doce calma Com o coração embalando A inquietude da alma. Estou só entre tanta gente Feliz em terna calmia Com o meu eu tão ardente Vibrando em sinfonia. Sinfonia que há no ar E acordes em turbilhão Sinto o meu corpo a vibrar Tão pleno de emoção. Vouga, meu rio idolatrado, Ocupas em minha poesia Um lugar bem destacado. * SEMPRE O MEU VOUGA À beleza das tuas águas E ao verde dos teus arvoredos Confesso as minhas mágoas E todos os meus segredos. Meu Vouga de mil encantos Dás-me serenidade e calma Secas todos os meus prantos E a ansiedade da minh’ alma. Meu amante silencioso Sereno mas muito ardente Beijas meu ser doloroso Tornando-o efervescente. Com tuas contradições De uma beleza irreal Dás azo às emoções E és um rio imortal. Quem me dera ser sereia E tuas águas beijar Envolvendo-me na areia E em teu leito repousar. E neste sonho dourado Crescendo em minha mente Fica o meu corpo cansado Com esta paixão fremente. * * O NOSSO AMOR Pedido da Cristina para oferecer a seu marido. Num amor imenso e tão profundo Com os anos a correr tão velozmente Existe entre nós um enorme mundo De paixão tão febril e tão ardente. Navego nas ondas do teu corpo Aqueço-me no sol do teu olhar Entre nós o amor nunca está morto Tendo sempre presente o verbo amar. E ao amar-te assim, meu grande amor, Vou-te desejando tão febrilmente que a lua ao contemlar o nosso ardor tem inveja desta paixão tão fremente. * DESEJO LATENTE Senti paixão no teu olhar Nas tuas mãos o desejo De meu corpo acariciar Fechando a boca com um beijo. Apenas quero amizade Ternura e não paixão Que acabe sem caridade Com qualquer terna emoção. Sou mulher e bem ardente Mas o amor do passado Nunca sai da minha mente Deixando meu coração fechado. É sem tréguas esta luta Entre a paixão e o carinho É uma enorme disputa Com solidão no caminho. * PORQUÊ ? Mais uma tarde perdida Sem me lançar em teus braços São contradições da vida Que nos envolve em seus laços. O meu querer e não querer É fogo que me consome Quero com ânsia viver Pois d’ amor eu tenho fome. Fome de um não sei quê Ânsia de paixão fremente Pergunto a mim o porquê Deste querer quase demente. Depois virá a saudade E o tal arrependimento De não dar azo à vontade E a um lindo sentimento. * SONHOS Meus lábios dois rubros peregrinos Pousaram com ternura numa flor Lembrei nossos tempos de meninos E a intensidade do nosso grande amor. Amor puro, ardente e tão suave, Amor que não mais se repetirá Amor que tenta, acalenta e persuade Amor que nunca mais alguém esquecerá. Então eu procuro como louca Uma flor com pétalas de veludo Para pousar nela a minha boca E sonhar que afinal eu tenho tudo. * ALMA ENAMORADA Vejo a lua namorando o Firmamento As estrela brilhando sem cessar E envolvida neste encantamento Já vejo o lindo dia a raiar. Cada dia que passa é mais um dia Que o tempo vai marcando em nosso rosto, Ai se eu pudesse o tempo pararia E de envelhecer não teria esse desgosto. Mas o sol que desponta a brilhar Varre do coração tanta saudade Lembrando que é sempre tempo de amar E o coração, esse, não tem idade. Olhos que brilham como o sol Nosso ser que arde em fogueiras Mocidade que nasce em arrebol Ficando nosso corpo sem canseiras. E o meu amigo Firmamento Mostrando-me toda a beleza da lua Traz-me de novo ao pensamento O querer e não querer poder ser tua. ** DIVAGANDO SOBRE BOCAGE Pela falua embalado Veio Bocage p’ ra Lisboa Com o seu ser iluminado E a sua alma pura e boa. Da cidade enamorado O sol o veio beijar Ficou assaz deslumbrado Com a carícia do mar. Devassou todos os recantos Quis desvendar os segredos Soltou todos os seus prantos Com coragem e sem medos. Com forte ânsia de amar Com denodo e com vontade Conseguiu ultrapassar As invejas e a maldade. Foi um poeta imortal Pleno de claridade Dando orgulho a Portugal Pela sua genialidade. * DEBATES INTERIORES Com tua voz macia de veludo E o teu olhar negro e tão profundo Não queres dizer nada e dizes tudo Mas desvendas, sem querer, todo o teu mundo. Desejas o meu corpo de mulher E eu anseio sem querer o teu carinho Sou aquela que te quer e não te quer Fugindo sem saber do teu caminho. É um rio caudaloso este sofrer Turvando as águas com frenesim Esta ânsia de ser e de não ser Abala o melhor que há em mim. Quero e não quero, diz a minh’ alma Desejo e não desejo esta paixão Não posso e não consigo ter a calma Que faria feliz meu coração. Debater sem compaixão Lutas sem tréguas, sem fim, São a lava dum vulcão Ardendo dentro de mim. Olhos negros sonhadores Não olhes mais para os meus Não é hora dos amores Mas sim hora do adeus. * JARDIM TROPICAL Neste lindo fim do mundo Que é o Jardim Tropical Sinto um bem-estar profundo E ignoro todo o mal. Lagos de águas esverdeadas Linda árvore rebrilhando Patos com suas ninhadas E os melros vão saltitando. Um pato tão atrevido Olha-me com tanta ternura Que eu, ao vê-lo, logo olvido Toda a minha vã tristura. Cisnes da cor da pureza Com pescoços elegantes Lembram alguma nobreza Dos fidalgos petulantes. E os pavões tão esplendorosos Com suas cores faiscando São ternos e amorosos Deixam minh’ alma cantando. Lá fora há destruição Há ódios e há traições Por isso meu coração Não gosta de multidões. Aqui nesta paz sem fim Que eu gozo com tanto ardor Sinto bem dentro de mim A obra do Criador. ** SÓ UMA NOITE DE AMOR Como os da história portuguesa Pedro e Inês se chamaram Apaixonaram-se com tanta firmeza Como a ama e o Príncipe se amaram. Mas o amor proibido sempre a exaltar Aquela paixão tão fremente Obrigou-a naquela noite de luar A entregar-se a ele ardentemente. Corações a pulsar tão doidamente Corpos febris com sangue a escaldar Acabaram tão friamente Naquela linda noite de luar. Porque a Parca os levou a navegar Nas ondas revoltas do seu mundo Descendo friamente para os levar Para o seu coval frio e imundo. Só uma noite de amor Que acabou sem esplendor. ** A FORÇA DOS SENTIDOS Na languidez de um olhar macio No corpo fremente e tépido a aquecer Há por vezes um frémito de frio E uma vontade enorme de viver. Viver uma vida em plenitude Deixando os costumes e a moral Ignorando o perfume da virtude Mergulhando no prazer do imenso mal. Amor e sentidos em sintonia Paixão e prazer descontrolados Formando uma enorme sinfonia Deixando os corpos tão excitados. E nessa excitação em desatino Fremente como o mar bravio Há um encontro com o destino Deixando o sabor morno do estio. Pobres corações sempre a sofrer Com sonhos tão frementes e aguerridos Têm que parar para sorver A imensa força dos sentidos. ** ONDE VAIS MEU PENSAMENTO? Sempre sentada em meu pensamento Vagueio nas nuvens de algodão E ao contemplar o Firmamento Sei que afinal tenho razão. Razão no meu descontentamento Por ver o mundo lentamente se afundando E nem um vislumbre de deslumbramento Consegue modificar o que estou pensando. Por vezes rio de mágoa e de prazer Mas a alegria tem tão raros momentos Que fico meditando sem saber Onde existem os teus encantamentos. A vida é para viver em plenitude Gozando cada minuto com alegria Neste mundo ser alegre é uma virtude Mas também desilusão em cada dia. Onde vais, meu pensamento, Que não paras um momento? ** PARA UMA AMIGA Esse amor reprimido Esse desejo sentido Destroem teu coração, Deixa o teu eu falar Ama quem deves amar E já não terás solidão ! América Miranda ** INDECISÕES Nesta loucura sem par De procurar um lindo olhar Vou navegando à deriva Vejo só os olhos teus Mergulhando nestes meus Mas não me sinto cativa. Estou cativa do passado Dum tempo tão relembrado Que me provoca arrepios Procuro amar outro alguém Mas não encontro ninguém Tenho os sentidos vazios. Sou só lava incandescente Lembrando o amor ardente Do passado já distante O futuro está nublado P’ ro meu coração cansado Tão volúvel e constante. Não encontro amor igual Àquele ser especial Que sempre me fez ditosa Procuro então como louca O frescor de outra boca Mas que ilusão desdenhosa. E neste engano cruel Na boca não tenho mel Mas sim um estranho frio Navego no mar da vida Vou-me sentindo perdida Com o meu eu já tão vazio. ** SÓ UMA NOITE DE AMOR Como os da história portuguesa Pedro e Inês se chamaram Apaixonaram-se com tanta firmeza Como a ama e o Príncipe se amaram. Mas o amor proibido sempre a exaltar Aquela paixão tão fremente Obrigou-a naquela noite de luar A entregar-se a ele ardentemente. Corações a pulsar tão doidamente Corpos febris com sangue a escaldar Acabaram tão friamente Naquela linda noite de luar. Porque a Parca os levou a navegar Nas ondas revoltas do seu mundo Descendo friamente para os levar Para o seu coval frio e imundo. Só uma noite de amor Que acabou sem esplendor. * O VENTO O vento numa dança voluptuosa das árvores põe as folhas a bailar e numa roda frenética e formosa também consegue os obstáculos derrubar. Parece uivar de tão zangado as saias das senhoras põe no ar atira ao chão o velho mais cansado e continua aumentando sem parar. Mas quando é fresco e brando acaricia com amor qualquer rosto aos nossos ouvidos vai cantando p’ ra apagar do coração qualquer desgosto. Gosto de ver o bailado sedutor das folhas saltando separadas e amo o vento tão ameaçador varrendo as pedras das calçadas. Amo afinal tanta beleza que brota da nossa mãe Natureza! * A EDUARDO LOURENÇO Eduardo Lourenço, o escritor, o homem duma sabedoria sem ter par não sendo jovem é um sedutor e a sua presença não se pode igualar. Fiquei feliz de o conhecer na sua obra me debruço embevecida ao pé do seu é tão pouco o meu saber mas minh’ alma fica tão enriquecida. Um nome a registar e não esquecer figura que não sai da imaginação elevá-lo é uma honra e um dever e jamais sairá do coração. * NAS ASAS DA IMAGINAÇÃO Se viajasse até às estrelas contigo se me queimasse no sol do teu olhar sairia desta cela, meu abrigo, e deixava meu coração a voar. Na redoma de vidro está fechado, não quer amor nem tão pouco se prender, foi um coração que amou e foi amado e apenas quer viver e só viver. E nesta forçada solidão como uma ostra fechada deixo soltar a imaginação e julgar que de novo sou amada. * A CULTURA DOS CULTOS A cultura dos cultos que espezinham os menos sabedores são espinhos dolorosos e ocultos que fazem dos humildes sofredores. A inteligência não tem nada com a cultura os mais cultos nem sempre são melhores aos mais fracos a opulência faz tristura mas nem sempre na vida são piores. Admiro o que sabe e não é vaidoso detesto o que não sabe e finge saber na cultura há um mundo tortuoso dos que pisam só para vencer. Admiro a simplicidade e o valor dos que sabem sem impor sabedoria detesto a vaidade e o despudor dos que afirmam ter categoria. É assim o mundo da cultura envolto numa enorme conjectura! * MAIS QUADRAS SOLTAS Num trapézio sentada envolta em sofrer profundo tenho a alma revoltada p’ la torpeza deste mundo. Políticos só a mentir gritam frases animadas e o pobre povo a cair nas petas tão descaradas. As mulheres vão rebolando suas formas sensuais e os pobres homens babando olhando como anormais. Também há as “borboletas” volteando em redor não são homens são só tretas de qualidade inferior. Esta crítica tão mordaz feita com certa ironia será muito bem capaz de alegrar hoje o meu dia. Mas eu tenho que escrever tudo o que está errado e a mim quer-me parecer que nem sequer é pecado. É virtude, não pecado, a verdade enfrentar não quero o bico calado pois morro se não falar. ** CHUVA CAINDO Correm lágrimas uma a uma das faces do Criador e numa nuvem de espuma eu procuro o meu amor. Estará no Firmamento nas estrelas que há no Céu ou só no meu pensamento envolvido em denso véu? A chuva vai caindo molhando o meu coração mas afinal estou sorrindo com toda esta emoção. A chuva que vai surgindo são lágrimas do Criador e eu vou sempre fingindo que volto a ver o meu amor. A chuva abençoada põe no meu ser a tristeza e eu sinto minh’alma lavada de tanta imunda torpeza. E as lágrimas que vão surgindo no moreno do meu rosto são como a chuva caindo para apagar meu desgosto ** MEU POBRE PORTUGAL Nuvens de algodão no Firmamento corações a sangrar de sofrimento e um Portugal a sofrer e a chorar pobre povo já não ri e já não canta nada no mundo o encanta pois perdeu a vontade de cantar. Sua voz grita aos quatro ventos sua revolta, seus sofrimentos, e de pé continua a clamar mas já se sente alquebrado, triste, pobre e derrotado, e perdeu a esperança de ganhar. Ergue-te, meu Portugal altaneiro, mostra com orgulho ao mundo inteiro tua fibra de lutar e de vencer nasceste p’ ra viver e para amar volta de novo a rir e a cantar e esmaga com coragem o teu sofrer. * ATROZ SAUDADE Minh’ alma imagina sóis e lua e vagueia sem destino, sem parar, revendo o momento em que fui tua e a volúpia do meu corpo te entregar. Éramos dois corpos num só a palpitar almas gémeas a transbordar ternura e nesta ânsia de sempre recordar vejo no nosso ardor tanta candura. No erotismo também pode haver candura na entrega existe chama incandescente e nos corpos envolvidos em ternura há sempre amor que arde e que se sente. Vivo desta recordação tão persistente que embala meus sonhos e o meu ser continuo saudosa e sempre ardente mas prefiro ficar só do que sofrer. Esta saudade tão amarga, sem ter voz, faz ondear as vibrações do meu corpo e nesta luta tão inglória e tão atroz o sentimento tão lindo não está morto. * LISBOA MINHA AMADA Sou uma mulher da cidade mas que agarra ao de leve a madrugada embevecida na poalha e claridade da linda Lisboa minha amada. O Tejo ondulante e esverdeado ouve os segredos da minh’ alma e num lamento quase desesperado peço-lhe serenidade e muita calma. Quero cansar meu corpo em suas águas ondulantes elevar meu espírito ao lindo Firmamento contemplar com fervor os beijos dos amantes e viver neste doce deslumbramento. Cidade de encantamento sem par onde amei e disperso a solidão como gosto de te calcorrear pisando teu solo com emoção. Lisboa, linda cidade sem rival, pérola cristalina do nosso Portugal. ** SEMPRE QUADRAS SOLTAS Há um sentido obscuro Na mente do ser humano Quando se quer mostrar tudo Mostra-se alegre e ufano. Hipocrisia a surgir Num sorriso enamorado E uma boca a mentir Num beijo apaixonado. Teu corpo deseja o meu E o meu está sempre a fugir Não quero nada do que é teu Não me obrigues a mentir. Palavras vão com o vento Digo sempre e com razão E eu queria um sentimento Dentro do meu coração. Coração, meu coração, Porque não sentes ardor E ao calor de uma emoção Porque foges do amor? És volúvel e cruel Não tens pena do meu ser Tens emoções em tropel Só para me veres sofrer. ** SALPICOS DE DOR Queria adormecer a alma na curva do teu peito E amar-te muito, alma gémea de encantar, E este querer tão estranho de carícias feito Fazia-me viver e abençoar a luz do teu olhar. Envolver-me num sonho todo arminho E como dois castos pombos arrulhar Viver a vida inteira do teu carinho E ter a vida inteira p’ ra te amar. Passar a vida inteira na luz dos teus olhos Ter imensa felicidade e nunca escolhos Beber o teu sorrir e mágoas esquecer. Tudo isto é um mero sonho vão Pois o meu pobre e fraco coração Não resiste à dor de te perder. * JULIETA Julieta meu amor, vem à janela O teu Romeu p’ ra te ver já vai passar Eu grito a todo o mundo eu amo ela E este amor tão grande vai aumentar. A Julieta acha graça ao Romeu Mas ele não é modo algum o seu querido Ela vive a vida e olha o céu Para recordar um amor nunca esquecido. Tem pena do seu sofrimento Não pode entregar-lhe seu coração E esta luta travada é um tormento Que sufoca lentamente a emoção. Ele é já um ser esquecido Que pode Julieta mais fazer? Olhar o Romeu entristecido Sem poder evitar o seu sofrer. E assim a Julieta não vai à janela P’ ro Romeu não poder olhar para ela! * DECLÍNIO O sol declinava no horizonte E a terra sem o seu calor arrefecia Recolhiam animais vindos do monte E sentia-se no ar falsa acalmia. Porque os homens tão entristecidos Revoltados com a miséria e a pobreza Tinham os dedos entumecidos E nos seus rostos sulcos de dureza. A revolta gera sangue e sofrimento A injustiça gera ódio e furor Se somos iguais no nascimento Porquê não vivermos só de amor? Porque o homem esquece a sua fé Porque o homem já cansado de sofrer Continua a lutar sempre de pé Mas sentindo-se pouco a pouco a perecer. ** REVIVENDO Na alavanca do medo na margem de um grande rio vou sussurrar um segredo que na imaginação eu crio. Eu crio sonhos alados imagino novos mundos confesso os meus pecados aos abismos mais profundos. Pecados de pensamentos de actos imaginados retalhos de sofrimentos de feitos inacabados. E nestes sonhos sem fim que nunca passam de sonhos revivo dentro de mim outros dias mais risonhos. * TEMPO SEM IDADE Por América Miranda Ainda vejo a curva do caminho Que tu pisavas, meu grande amor E recordo com saudade o teu carinho E a ternura plena de fulgor. Hoje piso esse caminho, mas tão só Recordo a nossa eterna cumplicidade E no meu olhar cheio de dó Vou passando o tempo sem idade. O brilho voltou ao meu olhar Mas tenho gelo no coração Não sou capaz de voltar a amar Deixando-me só pela emoção. E nesta solitária caminhada A poesia é a minha companheira Não me deixa a alma destroçada E faz-me sentir doutra maneira.
 

                                                                            **


 


 


SEMPRE O MEU BOCAGE


  


Tu que és entre os grandes o maior


Que cantaste toda a mitologia


Que gritaste com força e com ardor


Liberdade e grande sabedoria.


 


Egrégio poeta sem rival


Vate por muitos consagrado


Bocage, como tu não há igual,


Meu patrono, meu poeta muito amado.


 


Sofreste horrores a vida inteira


Mas só a doença te derrubou


Amaste sempre à tua maneira


Mas ninguém como tu muito amou.


 


Poeta da boémia e da liberdade


Fogoso, alegre e muito ardente,


Infiltras nos corações muita saudade


E levas muito amor a toda a gente.


 


Esse amor que corre nos teus versos


Essa ânsia enorme e desmedida


Faz os corações andar dispersos


Acalentando p’ ra sempre nossa vida.


 


E ao ler teus versos sublimes e com arte


Percorro este mundo p’ ra levar-te a toda a parte.


 


                                                                  *


 


 


CONTRASTES ENTRE MULHERES


  


Mulher jovem, escultura sem par,


Envolta em aroma de lilases


Mulher envelhecida a soluçar


E nos lábios sem cor angustiosas frases.


 


A primeira seu corpo vai mostrando


A outra com pudor o seu esconde


Ambas têm coração e vão amando


E esse amor surgiu não sei de onde.


 


Não há idade para amar


E o coração não envelheceu


A segunda conseguiu triunfar


E o amor da primeira desfaleceu.


 


Porque a jovem apenas queria deslumbrar


A mais idosa só pensava em carinho


E o homem pode então constatar


O valor de um amor não mesquinho.


 


E assim lá foram de mãos dadas


Ficando com as almas entrelaçadas.


E o amor forte então surgiu


E a essência de suas vidas floriu.


 


                                                            * 


 


 


DESPERTEI 


 


Despontou a madrugada


E a luz de Lisboa me acordou


Fiquei tão maravilhada


Recordando o passado que passou.


 


Esta luminosidade sem ter par


Esta beleza de certo modo irreal


Faz toda a minh’ alma vibrar


E amar cada vez mais meu Portugal.


 


 


 


                                                                   * 


 


 


ESTAÇÕES DO ANO 


 


Setembro despediu-se numa agonia


Deixando meu coração arrefecido


E naquela despedida tão sombria


Chorou pelo Verão apetecido.


 


Veio o Outono tristonho


E trouxe a melancolia


E também como num sonho


Devolveu-me a alegria.


 


No Inverno caiu neve


E meu coração gelado


Reagiu e muito breve


Ao ar frio e tão pesado.


 


Surge então a Primavera


Com um sorriso subtil


É a estação da quimera


Com o céu da cor de anil.


 


Gosto das quatro estações


Gosto muito de viver


E com estas emoções


Sinto que vou renascer.


   


                                                              * 


 


E POR TUDO O QUE NO MUNDO


EXISTE E HÁ


EU TE JURO QUE A TUA ALMA


DA MINH’ ALMA ESCRAVA ESTÁ !


  


América Miranda


  


                                                                    *


   


ANGÚSTIA CONTRADITÓRIA 


 


Quando meu amor partiste


Aprendi a amar a madrugada


E no meu coração agora existe


A solidão da minh’ alma amarfanhada.


 


A saudade vai corroendo o meu peito


E à noite a namorar a lua


Sinto o meu eu tão desfeito


Por já não poder ser tua.


 


Recordo o fogo do teu beijar


O calor do corpo teu


E neste eterno recordar


Ninguém sofre mais do que eu.


 


Quero nas ondas do mar bravio


Refrescar meu corpo langoroso


E sentir no meu coração o estio


E o inverno frio e doloroso.


 


Não consigo matar a recordação


Por isso vou caminhando sem norte


Mas nesta eterna contradição


Eu amo a vida e odeio a morte.


 


                      *


   


AMAR O AMOR


  


Lancei um sorriso aberto


De manhã ao lindo sol


E neste sonho desperto


Vi a luz do arrebol.


 


Houve um certo encantamento


Neste belo despertar


Como um ressurgimento


Para querer voltar a amar.


 


Eu amo as estrelas do céu


Amo o mar calmo e bravio


Do nevoeiro o lindo véu


E as lindas noites de estio.


 


Amo as flores à minha volta


As árvores com seu odor


E nesta reviravolta


Amo a palavra amor.


 


Amor que nos faz vibrar


Sem ódio por todo o mundo


Amor que nos faz gritar


Um sentimento profundo.


 


E nestas contradições


Sinto minh’ alma a vibrar


Num vendaval de emoções


Gritando a palavra amar.


 


 


                                                            *


 


 


 


                   MEU ANSEIO


   


Eu queria ter asas de condor


E no mundo não andar só e perdida


Pisar com os meus pés todo o amor


E viver suavemente a minha vida.


 


Mas não, eu vivo, mas vivo desfalecida


Combatendo em vão toda esta dor


De ser uma ave de asa ferida


Perdendo dia a dia seu esplendor.


 


Mesmo assim eu não perco nunca a chama


Que pela minha coragem clama


Para dominar todo este sofrimento


 


Meu coração é um enorme braseiro


Que ama afinal o mundo inteiro


P’ ra aliviar pouco a pouco o meu tormeno.


 


                        * 


 


 


BELEZA INFINITA 


 


Agarrei a madrugada


Mergulhei na luz do sol


E assim tão extasiada


Fiquei presa ao arrebol.


 


Olhei o matiz das flores


Dancei com a força do vento


Respirei belos odores


E olhei o Firmamento.


 


Casei com a luz do luar


A chuva beijou meu rosto


E assim a saltitar


Fui espalhando meu desgosto.


 


No mar eu mergulhei


Qual sereia apaixonada


As ondas leves beijei


E a espuma rendilhada.


 


Neste longo caminhar


Adorando a natureza


Continuo sempre a amar


Esta infinita beleza.


  


                                                                * 


 


BRINCANDO EM VERSO 


 


No lugar do coração


Tenho uma pedra gelada


Que me rouba a emoção


E traz minh’ alma enganada.


 


Não queiras que eu seja tua


Pois não pertenço a ninguém


Sou do sol e sou da lua


E do Firmamento também.


 


Sou sereia apaixonada


Do mar imenso e profundo


Brinco na areia molhada


Deslumbrada com o mundo.


 


Sou das estrelas do céu


Rodopio com o vento


Não quero que sejas meu


Pois não há deslumbramento.


 


E neste leve rodopiar


Sem destino e sem norte


Não te quero nunca amar


Para cumprir a minha sorte.


 


                                                             * 


 


 


SAUDEI A PRIMAVERA


  


 


Saudei hoje a Primavera


Com um sorriso radioso


Envolvida na quimera


Dum porvir mais grandioso.


 


Eu queria uma paz serena


Mergulhada nos odores


Desta Primavera amena


Perfumada pelas flores.


 


Queria amor nos corações


Queria um sol incandescente


Animando as emoções


Das vidas tristes da gente.


 


Queria amar só o amor


E todo o ódio ignorar


Combatendo com fervor


Todo o que não sabe amar.


 


E esta Primavera linda


Plena de seiva e calor


Traz à alma paz infinda


Envolvendo-a em seu esplendor.


 


 


                                                                    *


  


                 ILUSÃO


  


Em Maio vim ao mundo


Num dia tão sublime


Rodeada de amor profundo


E da sina que redime.


 


Fui marcada com sinais


De paixão avassaladora


Legados pelos maus pais


Nesta vida sofredora.


 


Conheci-te extasiada


Fiquei presa com delírio


A uma vida apaixonada


P’ ra sofrer hoje um martírio.


 


E agora eu na terra e tu no Além


E por tudo que neste mundo existe e há


Te juro que a minh’ alma


Da tu’ alma está.


 


 


                                                            * 


 


 


               FUI O TEU SOL


 


Quando me olhaste ardentemente


e com o teu sorriso de estarrecer


e pleno de fulgor


disseste-me: estava impaciente


para ver o sol nascer


e aqui estás tu, meu amor!


 


Como esquecer esta frase maravilhosa,


como não recordar momento a momento


a nossa paixão que foi grandiosa


e acabou para meu tormento?


 


Todos os dias vejo o sol nascer


e tu, amor, no Firmamento estás


e eu continuo sempre a reviver


aquela frase que a paz me traz.


 


                             *


 


 


 


 


 


MINHA REVOLTA, MEU GRITO


 


 


                Numa ânsia desvairada e louca


             contemplei extasiada o luar


             com medo que a minha pobre boca


             gritasse o que não devia gritar.


 


            Gritar amor, quando ele já não é amor,


            falar de paz, quando ela desapareceu,


            olhar a miséria, a fome e a dor,


            assim falarei só com o meu eu.


 


           Também falo com um Ser Superior


           e imploro auxílio e perdão


           rezo para que de novo volte o amor


           pedindo p’ rós pecadores a salvação.


 


           Pobre poeta de ideias loucas


           o querer tudo belo e tão profundo


           e a querer emudecer todas as bocas


           que não sabem falar sobre este mundo.


 


                                                                       *


 


 


                           


                O MEU “EU” 


 


De noite meus sonhos são de mel 


Ao despertar são de enorme solidão


E a imaginação vagueia em meu batel


Num mar revolto em grande agitação.


 


Meus sentidos dominados pela força


Dum coração que teima em não amar


Mas existe um amor profundo que reforça


A ânsia de sentir toda a paixão a pairar.


 


Paixão é uma chama efervescente


Pondo nossas veias a ferver


É uma chama enorme e tão ardente


Que arde e suaviza o nosso ser.


 


Dizer ao papel o que sinto


Não é fácil pois é uma confissão


Mas, falando de amor, eu nunca minto


E toda eu sou ternura e sou paixão.


 


 


 


                                                               


                                                            *


 


 


                      MAGIA


 


 


Mágico foi aquele momento


Em que imperou toda a ternura


Mas foi magia e foi tormento


Alegria e amargura.


 


A magia pairou no ar


Breves segundos de encantamento


E meu coração quase a parar


De alegria e deslumbramento.


 


Ilusões varridas pelo vento


Quando surge a realidade


Voam como o pensamento


E deixam pedaços de saudade.


 


 


                   * 


 


 


PORTALEGRE, MEU ENCANTO


 


A ti Portalegre, ó terra amada,


Que vi e olhei sonhando


Terra bendita, terra iluminada,


Onde o sol nasce a sorrir cantando.


 


A ti, terra fresca e perfumada,


P’ la doce brisa dos ventos reais


Onde ao pôr-do-sol e de madrugada


As andorinhas cantam nos beirais.


 


A ti terra que eu admirei,


Meus ais deixei no teu seio imersos,


Berço de amores que não esquecerei


E são p’ ra ti meus pobres e singelos versos.


 


 


     * 


 


 


PARA TI PORTALEGRE


 


 Hoje o sol nasceu risonho


A desfazer-se dum sonho


Radiante a iluminar-te


Portalegre tens um rosto


Que não quer que o luar de Agosto


Seja o primeiro a beijar-te.


 


Por entre nuvens de flores


Surgem anjos sonhadores


Que sobre ti vão voando


E até as aves ligeiras


Essas doces mensageiras


Poisam alegres cantando.


 


Corações cheios d’ esperanças


Passam bandos de crianças


Com o brilho dos seus olhitos


Até que o sol vai subindo


Em cada raio imprimindo


Os seus cantares infinitos.


 


Saudades soltam um ai


Uma lágrima desliza e cai


Por ti meu berço de prendas


E todos os teus caminhos


São lindos ramos de arminhos


Lembrando suaves rendas.


 


E ao despedir-me de ti


Todo o meu rosto sorri


Cidade gentil e linda


E o sol já vai declinando


Com muita força aumentando


Esta admiração infinda.


 


 


 


                                                                 *


 


 


  


MISTERIOSO OLHAR


  


São dois traquinas ciganos


Esses teus olhos garotos


Semeiam os desenganos


N’ alguns olhos mais marotos.


 


Tua boca é linda flor


Nem ainda desabrochou


Falta-lhe um certo calor


D’ alguém que já muito amou.


 


Teus olhos negros profundos


Com expressão tão amorosa


São como dois vagabundos


Pondo a vida deleitosa.


 


 


 


                                                 * 


 


 


RECORDAÇÃO


 


 


Quando, amor, te conheci


Fiquei presa ao teu olhar


E nesse instante eu senti


Que muito te iria amar.


 


Foi um amor tão ardente


Tão doce e apaixonado


Que o sol, esse astro tão quente,


Ficou logo enciumado.


 


As estrelas não gostavam


Ao ver meus olhos brilhar


Pois certamente pensavam


Que o brilho as fosse ofuscar.


 


Beijava meu corpo o mar


Mas sabia de antemão


Que eu só podia amar


A quem dei meu coração.


 


E todo o Firmamento


Quando nos via beijar


Parava por um momento


Só p’ ra nos poder espreitar.


 


E foi tal o encantamento


Desse tão estranho fulgor


Que ficou escrito no vento


Para sempre o nosso amor.


 


               *


 


FICAR DE PÉ


 


  


 


Como um mar encapelado


Cresce em mim uma revolta


Por um mundo aniquilado


Sem ter ida e sem ter volta.


 


Mentiras, ódios e traições,


Elogios falsos p’ ra alcançar poder,


Esquecimento das lindas ilusões


Que ajudam o homem a viver.


 


Lixo de consumo e lixo humano,


Minha Lisboa tão maltratada,


E todo o mundo vive no engano


Que o que conta é a bolsa recheada.


 


E dum belo e puro ser o que resta?


Farrapos em tiras esfrangalhadas


O amor lindo vai fugindo e já não presta


E as almas vão ficando destroçadas.


 


Pobre poeta só tens imaginação


Não vês que o mal no mundo impera


E que a bondade dum simples coração


Morre na infinita esteira da espera.


 


Tenho nas palavras amargura


E a esperança do melhor vai esvaindo


Quero gargalhar e matar tristura


P’ ra viver de pé nunca caindo!


 


 


                                          **


                                                                    


NEVOEIRO NOS MEUS SONHOS


 


 


Meus sonhos envoltos em nevoeiro


Procuram algo que não sei definir


São como sementes num canteiro


Que teimam sempre em não florir.


 


Alma no crepúsculo dos campos


Busca em vão de algo de irreal


Medos e sofrimentos são factos, tantos


Que as lágrimas vão correndo em caudal.


 


Mas o sol meus lábios faz sorrir


No meu corpo lança chama ardente


E eu vou ficando sem querer fugir


Envolta em sua chama incandescente.


 


O céu anilado alegra o meu olhar


O mar veste-me de espuma rendilhada


E absorta na luz linda do luar


Sinto-me uma sereia encantada.


 


Então já vou sorrindo e não chorando


Já quero rir e não sofrer


P’ lo mundo a poesia vou espalhando


Com uma enorme força de vencer.


 


  


 


                  *


 


 


DOCE TORMENTO


 


  


Espinhos da minha roseira


Sangrando em meu coração


São como enorme fogueira


Ardendo como um vulcão.


 


A alegria de viver


É forte aragem que beija


E percorre o nosso ser


Com a ânsia que deseja.


 


A rosa é de veludo


Os espinhos cravam com força


Mas no amor vale tudo


E não há nada que o torça.


 


Há dor e há sofrimento


Há alegria e prazer


É um doce tormento


Que nos ajuda a viver.


 


 


 


                                                                 *


 


 


NOITE DE SILÊNCIOS


  


 


Noite de silêncios e desejos


Madrugadas do meu sonho


Fazem lembrar certos beijos


Num despertar tão risonho.


 


Os sonhos com seu torpor


Embalam os meus sentidos


São um enorme clamor


De sentimentos perdidos.


 


No silêncio enluarado


Desta noite sem ter fim


O sonho vem mascarado


Voando já sobre mim.


 


É um esvoaçar tão leve


Minhas penas embalando


É um sonho bom, mas breve,


Que ao meu eu vai sussurrando.


 


E ao acordar dum dormir


Que da noite fez anelos


Mando p’ ra longe a sorrir


Todos os meus pesadelos.


 


 


                 *


 


 


TROCADILHOS


 


 


Vi dois pombos a arrulhar


Com tanta, tanta ternura,


Que fiquei logo a pensar


No amor de pouca dura.


 


Aquele amor tão veloz


Que nenhum prazer nos traz


É um amor sem ter voz


É um amor incapaz.


 


Mas o amor fogo ardente


Nas veias a transbordar


É algo de transcendente


Que nos faz logo entregar.


 


O coração também manda


Só com ele há desvario


E os sentidos comanda


E os refresca como um rio.


 


O amor e a paixão


Lado a lado a fervilhar


São como um furacão


Capaz de tudo arrasar.


 


Imaginação de poeta


Que vagueia sem cessar


Mas sente-se incompleta


Por não ser capaz de amar.


 


 


 


 


 


                    **


 


 


 


 


 


IMPOSSÍVEIS


 


 


Bater na porta fechada do meu coração


E como louco só e perdido


Insistes em sonhar com a ilusão


De que o meu grande amor já está esquecido.


 


Navega de mansinho em outro mar


Menos sulcado pelos vendavais


E verás que outro alguém irás amar


Que te dará mais do que eu, muito mais.


 


Alma gémea tu não és da minha


És apenas um amigo muito querido


Ergue-te com coragem e caminha


Num caminho seguro e não sofrido.


 


 


                                                                            *


 


 


A  PUREZA DAS LÁGRIMAS


 


 


Uma lágrima caída


Num rosto angelical


É uma gota perdida


Num imenso areal.


 


Lágrimas que não são impuras


São como um lindo coral


Beijado pelas águas puras


De um mar de estirpe real.


 


São uma espuma rendilhada


Algo de lindo e irreal


Como a alma apaixonada


Envolta num ideal.


 


E as lágrimas que vão caindo


Num rosto tão sedutor


Vão lavando e redimindo


A mágoa de um grande amor.


 


 


                                                                          *


 


  


MAIS VERSOS PARA TI VOUGA


 


 


 


 


Vouga, muito bom dia


meu rio muito amado


dás-me tristeza e alegria


e fazes recordar meu passado.


 


Teu vede de sereias provocantes


tuas ondas de corpos sinuosos


acalentas o fogo das amantes


tornando seus corpos mais fogosos.


 


Provocas o meu ser tão sensual


acalentas minha vida atormentada


contemplando com amor o teu caudal


sinto-me tão feliz e endeusada.


 


Breve vou partir meu verde rio


lágrimas surgirão no meu rosto


terei frémitos de calor e de frio


e será tormentoso meu desgosto.


 


Rogo a Deus para que volte a ver-te


p' ra beijar tuas margens verdejantes


e penso que irei sempre querer-te


com minh´alma e meu corpo palpitantes.


 


*


 


DESEJOS


 


                         - Em São Pedro do Sul -


 


 


Numa angústia de premente ansiedade


recordei os tempos que fui tua


e envolvida nesta sublime ansiedade


imaginei-me uma deusa toda nua.


 


O sangue afluiu ao meu rosto


relembrei os nossos fogosos beijos


e num misto de saudade e de desgosto


voltei a acender os meus desejos.


 


Desejos de encontrar um coração


tão terno e fogoso como o teu


mas é apenas uma fugaz ilusão


que embala suavemente o meu eu.


 


N averde relva deitados


com o meu Vouga sussurrando


faríamos amor deleitados


com os nossos corpos suando.


 


Presa duma recordação


que amarfanha e faz sofrer


tenho que soltar o coração


para respirar e viver.


 


Acarinhada pela doce claridade


da aurora que espreita entre flores


absorvo o ar da felicidade


perfumando-me com seus odores.


 


Penso na família, nos amigos, na poesia


essências que regem minha vida


recordo o grande amor que me sorria


vivendo de lembrança tão florida.


 


E neste mar de contradições


que a minh' alma exprime e grita


há um vendaval de emoções


que me embala e agita.


 


 


 


               *


 


 


AMOR ABRASADOR


 


 


 


O sol desaparecia no horizonte


os bosques negros e sombrios


uma luz alaranjada no monte


e a água fresca corria nos rios.


 


Poeira da terra avermelhada


o crespúculo vespertino descia


e a natureza algo intrigada


nas suas sombras sorria, sorria...


 


E então um par de braço dado


de gocas unidas e frementes


sobre a relve fresca deitado


unia suas paixões ardentes.


 


O amor é mais abrasador


perto da mão Natureza


é um braseiro de enorme calor


é paixão de infinita beleza.


 


Os seus corpos foram banhados p' lo rio


a noite escura sua confidente


e acalentados pelo amoroso estio


entregaram-se àquela paixão ardente.


 


E a paisagem abençoou aquele ardor


fruto dum terno e juvenil amor.


 


 


                     *


 


 


VAGUEIA MEU CORAÇÃO


 


 


Fortes ventanias açoitam meu coração


o calor fortíssimo e voluptuoso


Insectos voejam em turbilhão


Mas o mundo à minha volta é mais formoso.


 


Amizades lindas que ganhei


saudades que vou ter com a ausência


algumas lágrimas que já derramei


e aquele amargor com sua inclemência.


 


Debaixo de um céu de pureza infinita


vejo o rio verde sempre a murmurar


com a alma entregue à minha desdita


amo o sol no seu eterno cintilar.


 


As árvores com seus ramos copados


poem enorme brilho no meu olhar


e ao relembrar meus tempos passados


amo o amor e só quero amar.


 


A Natureza infiltra em meu ser


ondas e labaredas de intenso ardor


e dia após dia eu quero viver


com minh' alma envolvida em tal calor.


 


Calor que queima os sentidos


e traz os corações entontecidos.


 


 


                   *


 


 


ESTRANHA SENSAÇÃO


 


 


Estarrecida, assustada, mas com fé


vi de repente minha vida por um fio


e sempre que me ergo e estou de pé


não quero esta sensação de vazio.


 


Meu vazio estranho e indefinido


uma reviravolta tão repentina


que o meu eu às vezes desfalecido


não quer perder sua adrenalina.


 


E então luto contra a fraqueza e depressão


vou buscar energia ao inumerável


e nesta espécie de confusão


esta sensação de vida é tão agradável.


 


Com as batas brancas em meu redor


com os olhos postos no Firmamento


voltei a sentir a palavra Amor


e varri todo o mal do pensamento.


 


Foi uma corrida frenética e louca


foi um duelo entre o bem e o mal


e quer a minha vida seja longa ou pouca


não esquecerei da vida este sinal.


 


Sinal de esperança e fé


sinal de querer continuar de pé.


  


 


                 *


 


DIA ESPECIAL


 


Hojé é mais azul o céu de Lisboa


tem luminusidade de estrelas cintilantes


a vida que eu vivo feliz entoa


e há mais alegria nos corações amantes.


 


Porque Tu, meu Senhor, meu Criador,


deste mais felicidade ao meu ser


inundando-me de luz e de amor


e de vontade infinita de viver.


 


A fé enorme move montanhas


e a minha corre vales e montes


e plena de força e luz tamanhas


refresco o meu olhar nos horizontes.


 


E assim, meu Deus, minha vida


cheia de força e emoção


agradeço a graça recebida


com a minh' alma e todo o meu coração.


 


                       *


 


QUADRA SENTIMENTAL


 


 


No silêncio profundo


casamos com a solidão


e absortos do mundo


sentimos toda a emoção.


 


 


América Miranda


 


      
        *


 


 GRATIDÃO


  


Sentada no meu canto da poesia


num misto de tristeza e alegria


agradeço com fé ao Criador


ter-me ajudado a suportar a dor.


 


O medo fugiu para longe e passou o pavor


e a calma de um ser ficou ali


e ao abrir meus olhos, Senhor,


com lágrimas Te agradeci.


 


Foi uma Primavera a florir


foi tempestade que se afastou


foi de novo ao mundo sorrir


e saber que o pior já passou.


 


Perante a Vossa infinita bondade


senti-me tão tacanha, tão pequena,


e uma onda enorme de felicidade


fez a minha vida mais serena.


 



                 * 


 


 


EXPRESSÕES D’ ALMA


 


 


                                                


 


A minha alma são farrapos de mulher


Que sangram no silêncio e solidão


São como pétalas de malmequer


Que desfolham sem querer em qualquer mão.


 


São farrapos desfeitos em ilusões


São mágoas a clamar com ansiedade


Por um caminho atapetado de paixões


Que me pode trazer a felicidade.


 


Meus farrapos são gritos de saudade


São de mágoa, de tristeza e de clamor


São hinos de louvor à liberdade


De escrever o que eu penso sobre o amor.


 


 


 


 


 


                                                                            *


 


 


 


  


 


DESEJO


 


 


 


           


Tu’ alma é mansarda escura e fria


Que não ouve o bater do coração


É uma cela enorme mas vazia


Que te afunda numa eterna solidão.


 


Em vez de amor só tens desejo


Gostas de ouvir apenas os gemidos


Não amas a doçura de um beijo


Apenas te guiam teus sentidos.


 


É um barco no mar alto à deriva


Anseias mas não queres navegar


Não sabes o que fazer da tua vida


E para o amor não queres caminhar.


 


Pobre ser triste e solitário


Que nunca ouve a voz da saudade


Repara bem no correr do calendário


Que em breve faz chegar a tal idade.


 


Idade das belas e tristes recordações


Idade que o teu corpo vai tombar


Verás então que todas as emoções


Se desvanecem como fumo pelo ar.


 


 


                                                                                 * 


 


 


O SOL NO TEU OLHAR


 


 


Por


América Miranda


 


 


O azul do teu olhar


É matizado de cores


Tu já não queres amar


Receias as tuas dores.


 


Sorri, olha o Firmamento,


Pensa bem na amizade


Não tenhas deslumbramento


Crê apenas na verdade.


 


Na verdade da tua alma


Que não se deixa mostrar


E nestas tardes de calma


Deixa o coração falar.


 


Tu partes fisicamente


Mas o espírito em arrebol


Deixa tu’ alma pendente


Nesta cidade do Sol.


 


 


                       *


 


            Tua frase


 


 


 


 


 


UM BEIJO QUE CUBRA O UNIVERSO


 


 


 


Com um beijo teu


Que cobre o Universo


A minha vida será sempre


Um lindo e eterno verso.


 


 


                                                                       * 


 


  


  


 


DIZER ADEUS


 


 


 


Por


América Miranda


 


 


Quando dizemos adeus


A alguém que vai partir


Rogamos sempre ao Bom Deus


Que ele vá, mas volte a vir.


 


Porque a palavra saudade


De impossível tradução


Provoca enorme amizade


Num extremoso coração.


 


Neste vai e vem constante


De ver e não ver alguém


É tremenda variante


Que nos faz mal e nos faz bem.


 


A saudade é um sentimento


Que provoca angústia e dor


Não nos sai do pensamento


Desde manhã ao sol-pôr.


 


Vem depois o esquecimento


Que nos dá uma certa calma


Alivia o pensamento


E dá paz à nossa alma.


 


 


 


                                                                       *


  


 


 


QUATRO GERAÇÕES


 


 


                                   Aos meus queridos


 


 


Nesta vida de emoções


Querendo um mundo melhor


Tenho quatro gerações


Quase sempre em meu redor.


 


É um filho muito querido,


Neta, netos e bisneto,


Vale a pena ter vivido


Vendo este quadro completo.


 


A quem tenho mais amor?


Não o sabe o meu ser


Minha vida é um fulgor


E alegria de viver.


 


É um amor tão diferente


Que não tem definição


É uma brasa incandescente


Aquecendo o coração.


 


Falta o pilar da família


Que me deixou ansiedade


E nas noites de vigília


É amarga esta saudade.


 


 


 


 


América Miranda


4 / 11/ 2009


 


 


  


 


 


 


PARA NÓS


 


 


Por


América Miranda


 


 


O tempo por nós passou


E o presente é tão diferente


Mas das recordações algo ficou


Dos laivos de paixão que foi ardente.


 


Ainda te acho bem charmoso


Faz-me bem o teu carinho


 E tudo o que foi na vida doloroso


Esfumou-se na poeira do caminho.


 


A amizade é tão forte como o amor


É mais sã e não tumultuosa


Dá ao coração um certo ardor


E torna a vida menos tormentosa.


 


Assim, o azul do teu olhar


Meu coração não consegue enganar!


 


 


 


 


                                                                 *


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 


 

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